[[legacy_image_356049]] Perante a comoção nacional com a tragédia enfrentada pelo gaúchos e as cobranças por respostas à altura das necessidades, o Governo Federal anunciou na quinta-feira um pacote de R\$ 50,9 bilhões para reerguer o Rio Grande do Sul. O governador Eduardo Leite (PSDB) estimou em R\$ 19 bilhões o custo da reconstrução, de caráter emergencial, o que pode ser entendido como investimento necessário para moradia, infraestrutura das cidades, estradas e pontes. O Banrisul também deverá emprestar R\$ 7 bilhões para negócios privados de todos os portes, segundo Leite. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Do lado do Governo Federal, os recursos transitarão por programas já existentes, como os de financiamento para a agricultura e o empresarial, contando ainda com o reforço de emendas parlamentares e algum alívio ao estado em relação à dívida com a União, que já foi renegociada e mesmo assim continua pesando acentuadamente no orçamento estadual. De qualquer forma, é preciso acompanhar o andamento do socorro, pois boa parte dele não sairá de imediato e catástrofes ambientais anteriores mostram que muito do prometido se perde na burocracia, ineficiência, cortes orçamentários para cumprir regras fiscais (após gastos desenfreados) e corrupção. A gravidade das enchentes, que está longe de ser resolvida, explica a prioridade e o cuidado com que o Governo Lula tem respondido aos gaúchos. Mas se deve admitir que o eleitorado mais favorável à oposição e a guerrilha via redes sociais também exigem um esforço do Palácio do Planalto que não se viu em outras ocasiões. Os cientistas acreditam que mais catástrofes climáticas estão para acontecer, o que poderá se dar tanto no Rio Grande do Sul, de geografia favorável a chuvas intensas, como em outras regiões. Aliás, no ano passado o extremo sul gaúcho, o Uruguai e a Argentina enfrentaram seca de grandes proporções, enquanto o restante do Rio Grande do Sul começava a vivenciar intensas tempestades. Daqui para frente, o Sudeste e Nordeste também poderão enfrentar enxurradas, assim como logo chegará o período de baixa dos rios do Amazonas. No fim das contas, pergunta-se: em caso de catástrofes em série, o governo terá fôlego para mais socorros emergenciais? Após o caso do Rio Grande do Sul, já haverá um plano sistematizado pronto a ser implantado sem a necessidade de recorrer ao Congresso para aprovar medidas de forma urgente? Contra a falta de recursos, pouco se pode fazer porque obviamente o setor público tem seus limites, mas a parte burocrática, fundamental para acelerar a chegada da ajuda, precisa estar toda resolvida. Diferentemente do Japão e regiões dos EUA, sujeitos a terremotos e furacões, onde já há um preparo para catástrofes com treinamento da população e infraestrutura, no Brasil essa necessidade é recente. E se o País demorar a aprender com as perdas dos últimos tempos, o sofrimento e dificuldades econômicas serão muito maiores.