(Alexsander Ferraz/AT) Em tempos nos quais a informalidade e as plataformas digitais ganham cada vez mais espaço no mercado de trabalho, o governo se depara com um dado que merece registro e reflexão. No trimestre encerrado em fevereiro, de acordo com o IBGE, o Brasil atingiu o patamar recorde de 66,8% da população ocupada contribuindo para algum regime previdenciário, o que representa 68,196 milhões de trabalhadores cobertos pela Previdência Social. Trata-se do maior percentual registrado desde o ano de 2012, quando começou a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Ao contribuir para a Previdência Social, o trabalhador adquire garantias como aposentadoria, benefício por incapacidade e pensão por morte, por exemplo. Até tempos atrás, seria impossível imaginar alguém disposto a abrir mão destes e de outros direitos, voltados a quem trabalha no regime CLT. Contudo, com a nova economia, altamente digitalizada e desvinculada, e a pesada carga tributária à qual os empresários estão submetidos, um novo cenário se formou. Até por isso, o recorde chama a atenção. De acordo com o IBGE, no trimestre encerrado em fevereiro, o número de empregados no setor privado com carteira assinada foi de 39,2 milhões, estável em relação ao trimestre terminado em novembro e em relação ao mesmo período de 2025. O equilíbrio das contas da Previdência Social é um fator decisivo para o bom andamento da administração nacional. Historicamente deficitária, a previdência passou por reforma no início do Governo Bolsonaro e há quem já considere a necessidade de uma nova alteração, pois a quantidade de contribuintes cai à medida que o número de beneficiários aumenta – em previsão catastrófica, fala-se no fim da aposentadoria em um futuro distante. Além disso, a longevidade de homens e mulheres, um bem conquistado graças ao avanço da medicina e ao progresso de indicadores sociais, cobra seu preço. Paralelamente ao recorde na Previdência Social, motoristas e entregadores por aplicativo, cuja maioria não contribui e vive sem garantias nem futura aposentadoria, realizam protestos contra a baixa remuneração e as condições precárias de trabalho. Em diversas partes do País, motoristas e motociclistas reclamaram da baixa remuneração a que estão sujeitos. Muitos deles lamentam ter de passar mais de 12 horas por dia ao volante para auferir lucro mínimo, tirando as despesas com a manutenção do veículo. No caso de quem trabalha com motos em São Paulo, há ainda o descontentamento com a exigência de um curso para motofrete e mototáxi, que agora poderá ser feito em um prazo de dois anos sem aplicação de multa. Apesar da situação, parte considerável dos motoristas de aplicativo prefere a vida sem patrão pela flexibilidade da carga horária e da possibilidade de trabalhar conforme a demanda. Só é necessário lembrar que viver sem rede de apoio, por vezes, é mais arriscado.