[[legacy_image_277912]] O Censo 2022 trouxe dados impressionantes, bem diferentes do projetado, contrariando teses e exigindo revisão das políticas de distribuição de verbas federais. Com essas informações, que ainda serão especificadas nas áreas de saúde, educação e habitação, os governos terão que reavaliar suas prioridades. O que chama a atenção é a rápida redução do crescimento populacional do País, de alta de 6,5% na comparação com 2010, chegando a 203 milhões de habitantes. Baixada Santista e o Estado seguiram essa tendência, respectivamente, com avanço de 8,49% (1,805 milhão) e 7,7% (44,2 milhões). Santos registrou decréscimo populacional, mas já vinha de uma estagnação (416 mil em 1980). O recuo agora se verifica em capitais importantes, como Salvador, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, mas com a continuidade do avanço de seus entornos, que na região tem Praia Grande (+33% entre 2010 e 2022) como exemplo. Porém, o Censo mostrou uma espécie de revanche dos municípios pequenos. Com expansão geralmente associada a agronegócio e mineração, essas localidades se espalham pelo Centro-Oeste, inclusive em áreas de desmatamento. De qualquer forma, o sonho de uma vida melhor não depende mais de morar em uma metrópole, apesar de algumas ainda exercerem essa função com empregos no setor de serviços, como São Paulo e Campinas. Há casos muito específicos, como Extrema (MG), o único destaque do Sudeste, que se tornou polo de galpões de e-commerce atraídos pela localização estratégica, mas também por incentivos de guerra fiscal, que não se sabe como serão mantidos se a reforma tributária sair do papel. A expansão das cidades de menor porte é uma vantagem por desafogar os bolsões de miséria das grandes metrópoles. Entretanto, tudo indica que essa reversão também está associada ao fechamento contínuo de indústrias, desemprego e queda de renda, reflexos de um dos piores períodos da economia do País desde o século 20. É possível que o impacto da pandemia nos serviços, como bares, restaurantes, turismo e transporte, também tenha estimulado o trabalhador a buscar oportunidades no Interior. Nesse contexto, o estado, que desde o fim do século 19 atraiu brasileiros de todo o País e imigrantes, não é mais um dos líderes do crescimento populacional, ficando em 13o no aumento de habitantes entre 2010 e 2022. A liderança ficou com Roraima (41,3%), Santa Catarina (21,8%) e Mato Grosso (20,6%). Até a 12a posição nesse quesito, com exceção do Distrito Federal e Espírito Santo, são todos estados de forte crescimento do agronegócio e mineração. Falta ainda descobrir o impacto da pandemia na natalidade e o real tamanho da fuga de brasileiros para o exterior. Paralelamente, há o risco do Brasil rapidamente atingir a tendência de queda populacional, como na China e Europa, sem conseguir conquistar altos níveis de qualidade de vida.