(Reprodução) Os estragos que os recentes ataques da Ucrânia têm feito à imagem do governo do presidente Vladimir Putin são um dos fatos mais relevantes dessa guerra, que começou em 24 de fevereiro de 2022. O russo prometeu revide muito mais intenso e, portanto, algo devastador poderá acontecer. Já a nova estratégia ucraniana busca forçar um cessar-fogo, apesar de não conseguir retormar o leste. Para a Europa Ocidental, que teme ser o próximo alvo de Putin, e para a economia mundial, impactada pelo conflito, a torcida é por um desfecho rápido. O Brasil, aliás, também seria muito beneficiado por uma pacificação, lembrando que o País era um comprador tradicional de trigo e fertilizantes da Ucrânia. Entretanto, ainda não há um sinal contundente de que a disputa acabará no curto ou médio prazos. O desgaste de Putin é feito por meio de uma guerrilha implacável com drones contra a infraestrutura de energia em regiões até distantes da Ucrânia, como a Sibéria. Refinarias e petroleiros foram atacados na última semana a ponto dos russos enfrentarem filas de várias horas nos postos de combustíveis. Nessa nova fase, 90 embarcações russas foram atingidas em menos de uma semana, levando Moscou a suspender a navegação no Mar de Azov, entre o sudeste da Ucrânia e o sudoeste da Rússia. A consequência poderá ser mais falta de derivados de petróleo, insumos e alimentos. A ofensiva também inclui operações contra a região de Moscou, onde bombardeios, no domingo, danificaram edifícios residenciais, causando três mortes. Segundo reportagens europeias, o incômodo dos russos com essa guerra demorada está atingindo níveis elevados, minando o apoio que Putin recebeu, que há tempos se tornou um autocrata. Como o Kremlin deve fazer uma nova convocação de reservistas, homens em idade militar estariam se escondendo e abandonando o trabalho. O conflito entre os dois países foi alvo de críticas até do maior oligarca russo, o rei mundial dos fertilizantes, Andrey Melnichenko, aliado de Putin. O empresário entende que uma derrota a Moscou causaria humilhação e futuras revanches. E ainda isolamento internacional, tornando-se dependente da China ou até se fragmentando, o que seria um problema para o próprio Ocidente devido ao arsenal de armas nucleares. A Ucrânia, com sua resiliência, inspirou a Europa Ocidental, desconfiada do apoio militar dos Estados Unidos. Países como França, Itália, Holanda, Reino Unido e Suécia anunciaram uma coalizão com a Ucrânia para se protegerem contra mísseis balísticos. A estratégia poderá limitar eventuais avanços de Vladimir Putin ou, pelo contrário, alimentar uma nova onda armamentista. De qualquer forma, não há nestes tempos líderes mundiais com capacidade de intermediar uma negociação, ao mesmo tempo em que Putin, por seu histórico, poderá se recuperar e se fortalecer, acuando a Ucrânia e a Europa Ocidental, mediante um Governo Trump enrascado no Oriente Médio.