(FreePik) Se no passado a violência no futebol tinha as brigas entre torcidas organizadas como símbolo principal, hoje a delinquência e a intolerância se manifestam com mais força por meio das demonstrações explícitas de racismo. Na Europa, na América do Sul e até no Brasil os casos se somam a cada rodada. Os jogos válidos pelas competições sul-americanas viraram um prato cheio para os racistas exibirem toda a sua estupidez. Já se tornaram lugar-comum as imagens de torcedores imitando macaco e jogando banana durante as provocações aos brasileiros. Na Espanha, o atacante Vinícius Júnior, do Real Madrid, se transformou em um ícone da luta contra a discriminação, tamanha a quantidade de vezes em que foi ofendido com gestos e palavras. Por incrível que pareça, as ocorrências também são verificadas no Brasil, país que tem na miscigenação uma de suas maiores riquezas. No último dia 31, em Porto Alegre, durante jogo válido pelo Campeonato Brasileiro feminino, uma jogadora do Internacional atirou uma banana em direção ao banco de reservas do Sport. Após apuração, o Internacional rescindiu o contrato com a jogadora, que pertence à categoria sub-20. Diretor do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, Marcelo Carvalho afirma que o monitoramento realizado por sua equipe aponta que o racismo no futebol cresce, apesar da maior conscientização sobre o tema. O observatório divulga um relatório com denúncias de casos de discriminação racial no esporte mais popular do mundo. Em 2014, ano em que o relatório começou a ser publicado, foram registrados 36 casos de racismo no Brasil e no exterior. Cinco anos depois, em 2019, o número já estava em 159 casos. No ano seguinte, 2020, devido ao início da pandemia, o número de casos caiu para 81, mas voltou a subir para 158, em 2021; para 233, em 2022; e para 250, em 2023 – última edição publicada até o momento. A solução para o problema passa pela punição, uma vez que só a conscientização, como já ficou claro, não basta. Embora haja detenções e condenações em um ou outro caso, os intolerantes ainda não perderam o medo de agir. Por isso, é válida a discussão sobre eventual penalização do time para quem o infrator torce. Seja por meio de multa, seja pela perda de pontos no campeonato, algo mais eficaz precisa ser feito. Se os castigos fossem severos, os clubes seriam os primeiros a tomar providências efetivas para não serem prejudicados. Para que haja avanços, os dirigentes das federações e confederações têm de estar cientes da dimensão do problema e dispostos a contrariar interesses. O que não parece o caso de Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, a Confederação Sul-Americana de Futebol. Em recente entrevista, ao ser perguntado sobre eventual ausência de clubes brasileiros nas competições como forma de protesto contra o racismo, ele, que é paraguaio, respondeu que “isso seria como Tarzan sem Chita”.