O presidente Lula, na campanha eleitoral, descartou fazer ajuste nas contas públicas. Entretanto, segundo reportagens, o petista concordou em indicar o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Rodrigo Pacheco para o Supremo Tribunal Federal (STF). A nomeação seria parte de um acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para aprovar projetos de interesse do governo e também medidas fiscais nesta legislatura para dar fôlego à administração federal no próximo ano. Entretanto, as atenções estão voltadas para o próximo ministro da Fazenda. Com os nomes já aventados, o do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), o do vice-presidente Geraldo Alckmin e o do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, subentende-se que Lula quer retomar a confiança do mercado financeiro e do empresariado na gestão econômica. Apesar da gastança eleitoreira ter destruído a imagem do governo frente às contas públicas, a expectativa é do petista recuperar força política sustentada por sua contundente vitória no segundo turno. Considerando a força que a oposição terá na próxima legislatura, se Lula não montar um primeiro escalão eficiente e atrelado a uma sólida aliança, sua governabilidade estará seriamente ameaçada. Para recuperar a confiança, analistas de política e economistas entendem que o presidente precisa indicar um ministro da Fazenda e apontar medidas fiscais o mais rápido possível. Diz-se em Brasília que os primeiros nomes geralmente são propagados para sacrificar desafetos ou testar eventual rejeição. Alckmin foi lembrado por sua experiência como governador e por conhecer a elite empresarial de São Paulo, enquanto Galípolo já rechaçou liderar a equipe econômica. Porém, o favorito, pelo menos para o mercado financeiro, é o governador do Piauí, cuja economia equivale a 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Para comparação, o PIB paulista é 42 vezes maior do que o piauiense. Entretanto, o que chama a atenção é o perfil de Fonteles, matemático especializado em Economia e ex-secretário estadual da Fazenda. Parte de sua visibilidade se deve ao estado que, mesmo sendo pobre, é um dos que mais se desenvolveu no Brasil nos últimos 25 anos, com a chegada da soja, do milho e do etanol em sua região sul. Sobre a gestão de Fonteles, reportagem do Valor Econômico diz que ele fez empréstimos não para o custeio da máquina, mas para investir em infraestrutura, ampliando a produção do estado e gerando arrecadação. Entretanto, esse endividamento já estaria perto de passar do ponto ideal, exigindo austeridade. Independentemente do escolhido, é fundamental que o ministro da Fazenda tenha liberdade para gerir as contas públicas. O ex-titular Fernando Haddad assumiu com o prestígio de ser o herdeiro natural de Lula, que durante seu terceiro mandato ignorou a austeridade para sustentar medidas populistas. Portanto, não basta apenas ter um auxiliar bem conceituado.