[[legacy_image_133998]] Não fosse pelo eficiente plano nacional de imunização, criado e construído ao longo de décadas pelo Sistema Único de Saúde, e o Brasil poderia estar mal posicionado no combate à pandemia. Falta comando do poder central, diretriz sobre decisões importantes e rapidez na solução de problemas que vão surgindo, predominantemente, por conta do surgimento de novas cepas. O dia de ontem foi exemplo claro dessa falta de sintonia e articulação. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Cumprindo um papel que, em tese, não é seu, o Supremo Tribunal Federal concedeu liminar no último sábado determinando que todos os passageiros provenientes de outros países apresentem, nos aeroportos e demais fronteiras, comprovante de vacinação completa. A exigência só não vale para aqueles que chegam de países onde não há vacinação em massa ou que, eventualmente, apresentem atestado médico que os impeça de serem vacinados. Para ambos os casos, a quarentena e o exame anti-covid são as medidas aplicadas. Com a decisão prevista em liminar, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) iniciou na segunda-feira a cobrança do passaporte vacinal para todos os passageiros mas, como se diz no jargão popular, só esqueceu de ‘avisar os russos’. Companhias aéreas, agentes de aeroportos e equipes que atuam nas fronteiras não tiveram tempo ou orientação sobre como proceder e o resultado só poderia ser um: o caos. Durante toda a segunda-feira e ontem, o que se viu foi a formação de enormes filas nos aeroportos, em uma profusão de desinformação e burocracia, que misturava passaporte vacinal, declaração de saúde do viajante (DSV), teste negativado de covid e muitos nervos exaltados. Em alguns aeroportos, como no Internacional de Guarulhos, muitos passageiros passaram pela fila de check-in sem nada apresentar, recebendo a informação de que a seleção era por amostragem. Esse cenário só reforça a falta de comando e de decisão de onde mais deveriam partir essas orientações: o Ministério da Saúde e, por tabela, o Governo Federal. Esses, sim, deveriam chamar para si a responsabilidade por produzir o manual de boas práticas para a manutenção da saúde sanitária de sua população, com rígido controle dos entrantes, como é feito em vários outros países. Lamentável que, mais uma vez, determinar o que deve ou não ser feito precise partir do Judiciário, como já foi feito em inúmeras outras situações que envolveram a pandemia. Mais lamentável ainda é continuar enxergando no Governo Federal um adversário para qualquer medida que represente segurança sanitária – o presidente Jair Bolsonaro já se posicionou contrário à exigência do passaporte vacinal. O Brasil começa a construir uma imagem melhor no exterior, fruto do alto índice de vacinação, mas coloca tudo a perder com o vaivém de informações desencontradas ou, pior, falta de informação confiável. Uma pena.