(Joédson Alves/Agência Brasil) A elevação da nota de crédito do Brasil pela agência Moody’s, deixando o País a um nível do grau de investimento, causou supresa no mercado, muito desconfiado com o lado fiscal do governo. Com a nota Ba1 concedida pela avaliadora, uma das três principais do mundo, o País terá que subir apenas mais um degrau, para Baa3, conseguindo esse selo de bom pagador, que estimula a queda dos juros e o ingresso de recursos externos. Caso ascenda nessa escala de confiança e baixa possibilidade de calote, o País poderá atrair fundos de pensão estrangeiros, que apenas podem comprar papéis de países com grau de investimento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ainda falta o Brasil subir no conceito das outras duas agências de renome, Fitch e S&P, cujas notas brasileiras estão a dois níveis do grau de investimento – em ambas, o País está em BB e precisa subir para BB+ e depois, BBB-, que é o piso de bom pagador. O topo é o Aaa da Moody’s, e na Fitch e S&P, AAA. Até lá, seriam mais nove degraus, ficando ao lado da elite, como a Escandinávia, Alemanha, Suíça, Austrália e Singapura. Para economistas mais críticos, a Moody’s está descompassada com as opiniões do mercado. O ponto frágil são os indicadores fiscais, que para os analistas sinalizam deterioração das contas públicas antes do fim da década, lembrando a trágica gestão econômica de Dilma Rousseff. A desconfiança em relação ao governo recai sobre a resistência do presidente Lula de adotar medidas mais austeras, obtendo superávit e melhora em várias frentes, e apenas depois partir para os gastos tão valiosos para a popularidade do petista. O reajuste do salário mínimo acima da inflação, impactando nos benefícios sociais e na aposentadoria, é apontado como um dos fatores que impedem o equilíbrio fiscal. A Moody’s considerou várias medidas econômicas, e não apenas a gestão das contas públicas. Para conceder a nota, a agência entendeu que o País cumpriu vários passos essenciais, em camadas, com o ajuste fiscal ficando por último, condição para o Brasil ganhar grau de investimento. A Moody’s deu muita importância ao crescimento econômico acima do esperado e a reformas estruturais dos últimos anos, talvez a trabalhista, marcos do saneamento e das garantias e a tributária, ainda em votação (essas reformas não estão mencionadas nas reportagens sobre a nota). Mas a agência mantém o alerta para o risco fiscal, que as medidas para cortar gastos são “incipientes” e que as despesas obrigatórias (Previdência, programas sociais, saúde e educação) complicam os esforços para cumprir as metas. O Brasil já conquistou o grau de investimento, em 2008, no segunda mandato de Lula, mas o perdeu em 2015, com Dilma. Como muitos lembram, é um reconhecimento que demora para ser conquistado, mas que é perdido facilmente. Sem convencer Lula sobre a importância de conter os gastos, a retomada do grau de investimento não será possível.