[[legacy_image_139540]] Em meio aos vários impactos da pandemia na sociedade, o fenômeno da digitalização do comércio é dos mais impressionantes, com profundos efeitos na geração de renda e emprego. Ainda que o fim do isolamento social garanta a volta do consumo presencial, o varejo virtual precisa ser melhor comprometido para garantir uma transição menos traumática para o segmento físico. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, 150 mil lojas virtuais foram abertas desde o começo da pandemia, em março de 2020. Muitos desses negócios são de lojistas físicos que se viram impossibilitados de vender suas mercadorias nos momentos de maior restrição sanitária. Mas também surgiram muitos pequenos empreendedores, sem condições de investir em aluguéis e funcionários, que descobriram que a internet é uma forma barata de se conectar com potenciais clientes. Os resultados fracos das vendas da Black Friday e do Natal não são suficientes para poder projetar o crescimento do comércio virtual e também o físico, até porque a inflação e o desemprego achataram a renda média do brasileiro. Nesse contexto, não há como apostar em expansão no curto prazo. Entretanto, a transição do varejo para a tecnologia é fato, assim como as lojas on-line continuarão conquistando consumidores. Uma visita a Extrema (MG), na divisa com São Paulo, na Rodovia Fernão Dias, revela a construção de gigantescos galpões dos maiores portais de e-commerce, aliás, uma estratégia para ganhar com a guerra fiscal entre os estados. Porém, muitos desses negócios estão casados com a venda física. O comércio on-line tem a vantagem da comparação de preços e do universo maior de opções, mas muitos especialistas afirmam que parte do varejo tradicional será transformado em show-room, potencializando as vendas pela internet. Porém, essa ferramenta vai servir mais às grandes redes, não ficando claro como os pequenos negócios vão se favorecer do consumidor que prefere experimentar os produtos, lembrando ainda que isso funcionará mais em um segmento do que em outro. Enquanto nos Estados Unidos o gigantismo da Amazon esvaziou ruas comerciais de muitas metrópoles, no Brasil há uma pulverização de grandes portais que tendem a deslanchar uma forte competição, com prováveis impactos no varejo físico ou de menor porte. Por isso, a expectativa é de profunda modificação nos próximos anos. Entretanto, praticamente não se fala da adaptação dos trabalhadores a essas mudanças, de como eles terão que ser capacitados com novas ferramentas tecnológicas e até se a oferta de vagas vai encolher ou mesmo crescer. Há toda uma cadeia de fornecedores que poderá ter dificuldades de negociações de preços com as redes que vencerem essa disputa. Por último, fica a dúvida se os consumidores serão beneficiados pela concorrência ou se vão sofrer com eventual concentração de mercado.