A semana chega ao fim com o impasse entre o Governo do Estado e os municípios da Baixada Santista quanto à forma mais adequada para esta nova fase do combate à pandemia do novo coronavírus. Na terça-feira, o Estado anunciou o retrocesso intermitente de todo o Estado à fase vermelha do Plano São Paulo. Intermitente porque todos os municípios estariam na fase mais crítica apenas nos dias 25, 26 e 27 de dezembro, e 1, 2 e 3 de janeiro, devendo novo anúncio e avaliação serem feitos pela equipe do governador João Doria dia 7 de janeiro. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços! Reunidos na última quarta-feira, os atuais prefeitos e os eleitos para a nova legislatura decidiram não seguir os ditames do Plano São Paulo e manter a região na fase amarela, em que protocolos quanto ao funcionamento do comércio e serviços devem ser adotados, mas sem o rigor da fase vermelha, em que apenas os setores essenciais têm autorização para abrir as portas. Os gestores e futuros prefeitos das cidades acertam, e não são poucos os motivos para colocar em xeque as decisões do Governo do Estado. O primeiro sinal de que faltou coerência por parte de Doria foi deixar para o dia 30 de novembro, um dia após o segundo turno - em que seu candidato Bruno Covas concorria à reeleição - o anúncio de recuo do Estado à fase amarela. A pandemia já vinha dando sinais de recrudescimento ao menos 20 dias antes. Na sequência, Doria anunciou que as escolas voltarão às atividades presenciais em 2021 mesmo que a fase seja vermelha. Há toda uma cadeia de serviços que funcionam a partir da reabertura das escolas. Ainda não se sabe como estará o quadro da pandemia quando as aulas forem retomadas, portanto, não é um anúncio que pareça fazer coerência neste momento. Esta semana, de forma repentina, anuncia-se o retorno à fase vermelha, mas de forma intermitente, como se nos quatro dias entre o Natal e o Ano-Novo não houvesse risco de contaminação. Os prefeitos da região são os primeiros que sentem os reflexos do aumento no número de casos. São eles que precisam providenciar abertura de novos leitos covid, contratar profissionais, adquirir insumos e aumentar a fiscalização quanto ao cumprimento das normas estabelecidas. O turismo local neste final de ano e início de 2021 está, de fato e infelizmente, comprometido, mas as restrições da fase amarela são a salvaguarda de que se precisa para garantir a baixa dos números ainda nesta temporada. Suspender a queima de fogos, fechar as praias e criar barreiras na descida de mais turistas na Serra são caminhos possíveis para mitigar o repique de casos. No entanto, as medidas também podem ser inócuas se não houver a colaboração de moradores e veranistas. Em nove meses de pandemia, todos já sabem o que devem e podem fazer. Diferente de outras ocasiões, este é um momento em que a ação coletiva do poder público e da população será o único caminho para estabilizar o quadro enquanto não chega a vacina.