(Prefeitura de Santos/Divulgação) O trabalho preventivo que será realizado nos morros pela Prefeitura de Santos a partir de dezembro, conforme A Tribuna publicou ontem, ajudará a evitar ou atenuar tragédias como a registrada nos dias 2 e 3 de março de 2020, quando mais de 40 mortes ocorreram na região. As moradias em grande número nas encostas ficaram mais vulneráveis com as mudanças climáticas, caracterizadas por enxurradas violentas, o que exige prevenção, não apenas no verão, mas no ano todo. Traz mais preocupação ainda o fenômeno La Niña, previsto para 2025, que causa mais chuva ou seca conforme a parte do País. No caso de Santos, segundo o coordenador da Defesa Civil municipal, Daniel Onias, o esperado é de um período mais chuvoso. Para proteger os morros, a Prefeitura de Santos criou em 1989 o Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC), que a partir do dia 1º vai vistoriar 3,8 mil moradias nas áreas de risco. Trata-se de uma prevenção para atender as famílias em situações mais perigosas, pois no total Santos tem 13 mil residências em áreas de alerta, divididas em três níveis, com 135 casas consideradas em situação de “risco muito alto”. Parte importante do trabalho é a colaboração dos moradores, que precisam aprender a identificar um princípio de deslizamento e o que fazer no momento da fuga. De acordo com o coordenador da Defesa Civil, a própria população tem relatado anomalias, e os técnicos do órgão fazem automaticamente vistorias quando há um elevado acumulado de chuva ou há previsão de mais temporais. A Defesa Civil de Santos tem 40 servidores, que terão o reforço de 130 funcionários de dez secretarias, após capacitação, para essa operação nas áreas de risco. Após sua criação, o plano santista conquistou bons resultados nas encostas e seu trabalho foi muito elogiado por profissionais de outros órgãos do País. Mas os problemas com deslizamentos retornaram, talvez por um adensamento dos morros ou aumento da intensidade de temporais. Como exemplo, as chuvas de janeiro último superaram em 75% a média histórica dos últimos 30 anos em Santos. O importante é que em 2024 não ocorreram mortes, apesar do perigo continuar, com 470 registros de deslizamentos e quedas de árvores desde 1o de dezembro passado. Como os cientistas e os especialistas do clima já consideram que o País está mais exposto a situações extremas, com mais inundações e queda de encostas, seria ideal o País desenvolver um amplo programa nacional com recursos e profissionais prontos para agir ou atuar de forma preventiva. O presidente Lula falou sobre isso após visitar o Rio Grande do Sul na tragédia de maio, mas agora pouco se sabe sobre tal iniciativa, e a cada temporal nas grandes e médias cidades, o transtorno é gigantesco, muitas vezes com registro de mortes. O Brasil não é um país livre de calamidades climáticas e precisa destinar uma parte mais robusta de seus orçamentos para esse fim.