Foto ilustrativa (Sílvio Luiz/AT) A Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera (Noaa, na sigla em inglês), dos EUA, indica 62% de possibilidades para o El Niño voltar a se manifestar em junho ou agosto. O fenômeno climático, que se contrapõe à La Niña, aumenta as temperaturas das águas do Pacífico, o que no Brasil resulta em seca no Norte e Nordeste e chuvas no Sul. No interior, o calor aumenta e o nível dos reservatórios das hidrelétricas pode se reduzir. Trata-se de uma previsão, portanto, sujeita a erros ou que a intensidade desse fenômeno seja menor. Porém, o que se questiona é se o País estará preparado para eventuais catástrofes, como enchentes, estiagens, prejuízo à produção agropecuária e aumento do custo de energia, com a necessidade de acionar termelétricas (a diesel, o que preocupa mais ainda com a alta do petróleo). Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Os cientistas não sabem se o estado mais vulnerável, o Rio Grande do Sul, poderá ser palco de alguma tragédia parecida com a de junho de 2024, que causou 184 mortos e um impressionante caos econômico. Por outro lado, cidades com grandes problemas de drenagem, como São Paulo, ou encostas muito habitadas, como Baixada Santista e Região Serrana Fluminense, também poderão sofrer com eventual extremo climático. Além disso, incêndios poderiam voltar a devastar o Cerrado e a Amazônia, e a seca levar sofrimento a cidades nordestinas. A tragédia gaúcha impôs algumas mudanças na prevenção, como alertas, apesar de, na prática, ser reduzido o total de habitantes que sabe o que fazer nas emergências. Aparentemente, a Defesa Civil recebeu investimentos e o Congresso aprovou mecanismos para acelerar a liberação de recursos. Porém, o Brasil não tem como hábito fazer planejamento e costuma demorar ou mesmo ser leniente para resolver suas mazelas. Um sinal disso é que milhões de brasileiros continuam morando em habitações precárias e em áreas sujeitas a inundações constantes, não apenas nas tempestades históricas. Aliás, no ano passado, famílias gaúchas que perderam suas casas em 2024 ainda estavam em abrigos públicos ou aguardando a entrega de moradias definitivas e em áreas sem risco de alagamentos. Não se deve esperar que as inundações não se repitam num passe de mágica, pois as chuvas estão mais intensas mesmo durante o La Niña, o atual fenômeno, e atingindo um elevado número de cidades. O que se deve providenciar é a contínua conscientização das famílias nas encostas, mais expostas a mortes, e também orientar a população em geral para não ficar em casa esperando a subida das águas, alegando que sofrerão furtos. As prefeituras também precisam ser mais rigorosas nas fiscalizações da construção de moradias irregulares, que não se restringe apenas à favelização. No fim das contas, os municípios e estados têm que investir mais nas suas defesas civis e nas brigadas de incêndio. Segundo os cientistas, os extremos climáticos serão cada vez mais intensos e perigosos e é fundamental estar preparado.