(José Cruz/Agência Brasil) A reação do mercado nos últimos dois dias, com a queda do dólar de R\$ 5,66 para R\$ 5,48 ontem, um recuo de 3,3%, indica que os comentários recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ultrapassaram os limites do bom senso. Mas pelo menos agora ele acertou ao prometer agir no rumo defendido pela equipe econômica. Antes, Lula fez críticas ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, mostrou resistência a cortar gastos e sugeriu tomar medidas contra a alta do câmbio, sendo que já é conhecido que os juros americanos derrubam moedas pelos quatro cantos do mundo. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Durante a disparada da moeda americana, a fala presidencial estimulou boatos e operações cambiais. Enquanto empresas com custos em dólar compravam a divisa para se proteger devido à expectativa de alta, exportadores atrasavam a conversão para reais esperando cotação mais favorável. Isso gerou mais demanda pela moeda, forçando a valorização. Por outro lado, o Banco Central ficou sob o risco de injetar dólares no mercado, não ter resultado desejado e precisar subir os juros para tirar capitais do mercado. Falta saber como a inflação será afetada, pois o País depende de muitos insumos importados, um fator que será influenciado pelo nível que o dólar deverá se estabilizar, até então de R\$ 5,00. A subida do dólar não está toda relacionada à fala do presidente. Como o Federal Reserve (Banco Central americano) demora a definir se vai cortar os juros por lá, a moeda segue forte perante principalmente às dos emergentes, o que inclui o real com destaque. Como o mercado americano é o mais seguro e seus títulos passaram a remunerar bem (5% a 5,5%, frente aos 10,5% da Selic), os capitais migram para os EUA. Aliás, a economia dos EUA registra uma grande prosperidade agora, mas o Governo Biden não fatura isso politicamente, porque o americano perdeu poder aquisitivo devido à inflação e está insatisfeito. Esse problema os brasileiros enfrentam há pelo menos cinco décadas. Portanto, o presidente Lula acerta ao não se orientar mais pelo núcleo político do Palácio do Planalto e passar a dar prioridade ao que já defendia a equipe econômica, que é cortar gastos. A ideia dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento, Simone Tebet, é suspender R\$ 25 bilhões em despesas do orçamento do próximo ano, além de realizar um pente fino, em especial, nos benefícios sociais, dando a entender que isso pode acontecer agora em 2024. Por enquanto, o mercado financeiro sinaliza que acreditou nessa promessa, mas economistas alertam que o governo apenas fez um anúncio e ainda de fato precisará cumprir essas medidas. Já há um precedente preocupante de descumprimento de palavra, relacionado às regras fiscais, que na prática não seriam executadas. Agora, a gestão petista precisará demonstrar muito mais firmeza, provando que vai fazer o corte de gastos.