[[legacy_image_134853]] Em meio aos riscos com a variante Ômicron da covid-19, as autoridades sanitárias já se deparam com uma preocupação adicional – o vírus Influenza H3N2. O causador da gripe já é uma epidemia no Rio de Janeiro, Bahia, onde houve uma morte, Espírito Santo, Amazonas e Rondônia e aumentou o movimento nos hospitais da Baixada Santista. O que chama a atenção é que a incidência elevada é atípica para esta época do ano, mais quente. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Conforme A Tribuna publicou nesta sexta-feira (17), médicos afirmam que a disseminação da doença está relacionada à falta de vacinação contra a gripe em meados do ano. Aliás, o foco da sociedade na covid-19 sacrificou a atenção contra outras doenças. Por isso, os secretários de Saúde estaduais e municipais e a pasta federal precisam manter os cuidados com a covid-19 e as gripes e, ao mesmo tempo, reforçar suas estratégias para as várias infecções que podem se espalhar rapidamente. Trata-se de um trabalho dos mais difíceis, considerando a falta de recursos e a prioridade exigida pela pandemia, mas o planejamento é fundamental. No caso do vírus H3N2, é preciso aguardar mais alguns meses até que a vacina contra a gripe passe a incluir essa cepa, mas os médicos recomendam tomar o atual imunizante antigripe disponível assim mesmo. A melhor forma de enfrentar a rápida disseminação do vírus é insistir nas medidas contra a covid-19 – evitar aglomerações e ambientes fechados e manter o uso de álcool em gel e máscara. Sem essas iniciativas, o risco de transmissão é elevadíssimo, considerando o movimento no comércio neste período do ano e o transporte público lotado nos horários de pico, assim como retomar cuidados nas casas noturnas e estádios de futebol. Por outro lado, os médicos têm que ficar atentos para os sintomas da H3N2 - febre alta, dor de cabeça, inflamação de garganta e tosse. A identificação antecipada ajudará as prefeituras a estabelecer planos de contenção – daí a importância de multiplicar essas informações. A H3N2 não deve ser considerada uma gripe branda, porque pode ter efeitos graves entre os mais vulneráveis. Ainda é preciso estudar melhor os sintomas registrados no País, mas o caso fatal de Salvador merece ser observado com atenção. Essa vítima tinha 80 anos e tomou as três doses contra a covid-19, mas não estava imunizada contra a gripe. Além disso, era portadora de doença cardiovascular crônica e diabetes – ela morreu três dias depois da hospitalização. De acordo com o Governo da Bahia, o estado registrou 170 casos de síndrome gripal com resultado positivo para H3N2, sendo que 28% evoluíram para síndrome respiratória aguda grave (SRAG) e exigiram internação. Em Salvador, já há filas nos hospitais e a vacinação contra covid-19 foi suspensa apenas ontem para centrar foco na imunização contra a gripe. O perigo é o sistema de saúde voltar a ficar sobrecarregado e, simultaneamente, uma variante da covid-19 circular com impacto extra na rede pública.