(Reprodução/Pixabay) Integrantes do governo têm se reunido nas últimas semanas com executivos do setor de alimentos. A preocupação é com os preços das carnes, ovos e óleo de soja, entre outros itens. Enquanto nos ministérios são discutidas alternativas para baratear esses produtos, as reuniões com a iniciativa privada tentam sensibilizar o empresariado sobre a possibilidade de ampliar a oferta, o que reduziria as remarcações nos supermercados. O temor é de que medidas populistas ou criativas sejam tomadas, gerando mais gastos ou desconfiança do mercado na gestão federal. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o setor de proteína animal disse ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que os preços dos cortes bovinos caíram 15% entre dezembro e fevereiro, chegando a 25% no filé mignon e na picanha. O recuo não estaria sendo repassado pelos supermercados, segundo o setor de carnes. Já o ramo da soja alegou que o óleo vegetal envasado recuou de R\$ 8,16 em dezembro para R\$ 6,91 em fevereiro (-15%). O de ovos explicou que a alta é temporária devido à sazonalidade na oferta e aumento do consumo antes da quaresma. Mesmo isso não justifica a subida de preço tão forte neste ano. Segundo economistas, seca e chuvas intensas, assim como quebra de safra no Vietnã e baixa produção no Brasil no caso do café, explicam a inflação dos alimentos. Mas analistas apontam para o crescimento do País acima da capacidade de atender a demanda, após muita injeção de dinheiro público. Porém, o governo admitir que acelerou demais significa concordar com a política do Banco Central de subir os juros para esfriar a economia, o que já aparece em algumas estatísticas. Agora, os brasileiros sentem o impacto da alta dos preços no bolso, refletindo nitidamente na queda de popularidade do presidente Lula, que pressionou sua equipe por soluções. Mas se reuniões entre o Executivo e o setor produtivo resolvessem esse tipo de problema, a inflação acabaria no mundo e os políticos não seriam punidos nas urnas. Nas reuniões, segundo reportagens, foram discutidas saídas, muitas delas sem sentido prático, para derrubar os preços, como reduzir as exportações dos alimentos. No fim das contas, teria sido aventada a redução pontual de impostos e medidas para reduzir os custos dos produtores de suínos e de frango. Segundo o Banco Central, a tendência é que a inflação continue bem viva neste semestre, arrefecendo na segunda etapa do ano já sob impacto dos juros em ascensão desde o fim de 2024 (estudos indicam que o efeito dos juros leva seis meses para ser sentido na economia). Mas há situações imprevisíveis, como eventual acirramento da guerra na Ucrânia ou no Oriente Médio, além de extremos climáticos. Portanto, eventuais iniciativas governamentais, caso sejam eficientes, funcionarão como paliativo. A não ser que o presidente pise no freio para derrubar o consumo, o que se imagina que ele não vai fazer conforme aumenta a briga com vistas às eleições de 2026.