(AdobeStock) Como era de se esperar, o conflito no Irã promovido por Estados Unidos e Israel a título de neutralizar o programa nuclear do país e minimizar a influência iraniana no Oriente Médio trouxe reflexos negativos para a economia global. A escalada de preços do petróleo começou com a promessa de não haver limite. Em meio ao cenário negativo, agravado pelo receio do desabastecimento de óleo diesel, o governo brasileiro anunciou ontem que não vai cobrar impostos sobre o combustível. Um dos decretos assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva zera as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel para importação e comercialização do combustível, o que, nas contas do governo, representa uma redução de R\$ 0,32 dos tributos PIS e Cofins. Outros R\$ 0,32 vem da subvenção. Dessa forma, é esperado um impacto de R\$ 0,64 por litro. Em outra frente, a administração federal elevou o imposto de exportação sobre petróleo de zero para 12%. Segundo Fernando Haddad, ministro da Fazenda, “os produtores que estão auferindo lucros extraordinários vão contribuir com imposto de exportação extraordinário, e os consumidores não serão afetados”. Para que não haja burla no repasse do custo das medidas ao consumidor, as autoridades prometem fiscalização. O conflito atingiu com grande magnitude o Estreito de Ormuz, uma das principais vias do comércio energético, por onde transita cerca de um quarto do petróleo mundial. Com a interrupção do fluxo de petroleiros e a ameaça de novos ataques por parte do Irã, as oscilações no preço do petróleo começaram. Acuada, sem ter como fazer frente aos pesados ataques que sofre, a gestão iraniana fez uma ameaça pública ao anunciar que os mercados devem se preparar para o preço do barril do petróleo chegar a US\$ 200. Não bastasse tudo isso, a guerra já soma quase duas mil mortes, a maioria iranianos e libaneses. Segundo Donald Trump, o combate vai acabar quando ele quiser que acabe – e ele não tem pressa. Apesar disso, para não ver a economia dos Estados Unidos prejudicada, Trump avalia afrouxar regras e tributos na seara local. No Brasil, os reflexos do conflito vêm em péssima hora para o governo. Em ano de eleição presidencial, com Flávio Bolsonaro ascendendo nas pesquisas, Lula e seus pares deparam com mais um desgaste a debelar. Até o momento, conforme as pesquisas, parte significativa da população associa os escândalos do INSS e do Banco Master ao governo. Até a crise do STF respinga em quem está no poder. Ao abrir mão de impostos para conter a elevação do preço do petróleo, o governo almeja controlar a inflação, sempre um tema delicado. Afinal, ainda que parte relevante do eleitorado não saiba quem é Daniel Vorcaro, e ainda que muita gente que tenha tido descontos irregulares no benefício previdenciário nem tenha se dado conta, quando os preços dos alimentos sobem, a insatisfação fica evidente e traz consequências diretas ao status quo.