A poluição nas praias brasileiras é grave fator que desestimula o turismo e a frequência regular a elas. Houve piora em suas condições de balneabilidade pelo segundo ano consecutivo - em 1.287 pontos de medição ao longo da costa nacional, 35% apresentaram ruins ou péssimos, sendo que em 2017 eram 28% e em 2018, 33%. Se levados em conta os 31 municípios do litoral brasileiro na categoria A do Ministério do Turismo (aqueles que recebem mais visitantes, gerando mais empregos no setor, com mais leitos de hospedagem), os resultados são ainda piores: 42% dos 663 pontos monitorados tiveram a água avaliada como imprópria para o banho de mar (classificação ruim ou péssima) entre novembro de 2018 e outubro de 2019. Os problemas, portanto, persistem. Faltam coleta e tratamento de esgotos em boa parte dos municípios litorâneos brasileiros, e a questão tem se agravado. Destaque-se que o banho em áreas impróprias pode causar graves problemas de saúde, sobretudo doenças gastrointestinais ou de pele, como micoses. E os turistas, de modo geral, passam a evitar a frequência a essas cidades e regiões, com prejuízos significativos. Poucos serão aqueles que, de modo consciente, irão se aventurar em praias que estão sujas e poluídas. Na Baixada Santista, o quadro também é negativo. Considerando as oito cidades com praias marítimas, em 45% dos 69 pontos monitorados o resultado foi ruim ou péssimo. A situação é melhor em Bertioga, onde nenhuma praia apresentou esses índices. Lá houve cinco praias classificadas como boas e quatro regulares, estas últimas todas na Enseada, mas elas pioraram em relação a 2018, quando todas foram consideradas como boas. Guarujá também se destaca positivamente: em 12 pontos de coleta, apresenta apenas uma foi péssima (Perequê) e outra ruim (Enseada), prevalecendo a classificação regular (7 praias), com três boas (Iporanga, Pernambuco e Tombo). No Litoral Sul (Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe), prevalece a situação regular (16 dos 24 pontos de coleta), mas em Mongaguá o quadro é muito preocupante (quatro praias ruins e três péssimas). Em Praia Grande, Santos e São Vicente todas as praias foram classificadas como ruins ou péssimas. Em Santos, em particular, nos sete locais pesquisados (da Ponta da Praia ao José Menino), os resultados foram péssimos em todos eles. Tais dados devem merecer a máxima atenção das autoridades. Trata-se de problema de saúde pública, em primeiro lugar, mas que afeta, de modo intenso, a economia das cidades do litoral brasileiro. Não é admissível que essa situação persista e se agrave a cada ano, sem que haja reação da sociedade e dos governos para alterar esse panorama. Despoluir as praias deve ser prioridade máxima, e o tema não pode ser relegado ao segundo plano, como vem acontecendo nos últimos anos.