(Rafa Neddermeyer/Agência Brasil) Depois de um mês de inundações de proporções históricas no Rio Grande do Sul, apesar das águas baixarem lentamente, é momento de analisar as medidas já anunciadas para socorrer o estado e se o País aprenderá com essa tragédia. Favelização, falta de saneamento, aumento da violência por décadas e baixa qualidade do ensino e da saúde pública indicam que o Brasil não está habituado a corrigir problemas. Entretanto, as perdas de todo tipo e o imediato registro e repercussão dessa crise climática nas redes sociais indicam que há uma imensa pressão sobre os políticos, assim como as vítimas conseguem externar seu sofrimento e os especialistas podem expor soluções técnicas. O meio digital também beneficia oportunistas a se aproveitarem política ou economicamente das dificuldades alheias, mas na conta final há uma esperança de que as perdas podem ser mitigadas e que os gestores públicos poderão implantar um plano de prevenção a desastres. A sociedade reagiu bem em socorro com doações em dinheiro e de mantimentos. Por exemplo, o envio de Pix para entidades associadas ao governo gaúcho garantiu um pagamento de R\$ 2 mil às vítimas das chuvas. Já o Governo Federal liberou R\$ 5,1 mil para as famílias mais atingidas. Além disso, a administração federal também facilitou o saque de benefícios sociais, como FGTS e seguro-desemprego, prometeu encaminhar verbas para recuperar a infraestrutura e anunciou linhas de crédito tanto para pessoas físicas como jurídicas e prefeituras. O desafio maior será providenciar casa própria, incluindo moradias temporárias até que definitivas sejam viabilizadas. Contudo, como já se viu em tragédias anteriores, há risco dessas promessas se perderem ao longo dos meses e anos, assim como empresas devastadas não conseguirem atender as exigências dos bancos estatais para tomar dinheiro a juros baixos. Em paralelo às medidas emergenciais e de recuperação nos curto e médio prazos, há os investimentos necessários para adequar um estado inteiro a uma nova condição climática, de chuvas mais agressivas sobre a Serra Gaúcha e vales, com águas volumosas correndo em direção à capital. Também será necessário alterar a legislação para evitar que abusos piorem o impacto ambiental das enxurradas. As reportagens indicam que os prefeitos estão muito pressionados por suas populações, sinalizando que a eleição terá um poder transformador neste ano. O passar dos meses poderá beneficiar autoridades displicentes que se aproveitam do esquecimento, lembrando que agora mesmo, no Congresso, não se vê esforço contundente por propostas de prevenção climática. Se pelo menos uma parte da sociedade persistir cobrando, um importante avanço pode ser obtido, lembrando que a natureza continuará turbulenta. Com a substituição do El Niño por La Niña, especialistas esperam seca no Sul e muita chuva no Norte. Não há mais espaço para a indiferença.