Diretor-geral da Antaq, Eduardo Nery, ressalta a importância de preparar os portos para receber embarcações ‘linhas verdes’ (Vanessa Rodrigues/AT) Diagnóstico de Descar-bonização, Infraestrutura e Aplicações do Hidrogênio nos Portos, conduzido pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em parceria com o Ministério de Portos e Aeroportos e a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), revelou um cenário desafiador para os portos brasileiros. Das 244 instalações portuárias mapeadas, apenas cinco firmaram acordos para a produção de hidrogênio verde, e apenas 19% dos portos públicos possuem inventário de emissões de gases de efeito estufa. Esses números destacam a necessidade urgente de investimentos em infraestrutura voltada para a descarbonização. A transição energética não é apenas uma demanda ambiental; é um imperativo econômico. À medida que o mundo avança para um futuro de baixa emissão de carbono, os portos brasileiros precisam se adaptar para que continuem competitivos. A capacidade de fornecer serviços para embarcações menos poluentes será um diferencial crucial, especialmente à medida que os principais parceiros comerciais impõem regulamentos mais rígidos sobre emissões. O diretor-geral da Antaq, Eduardo Nery, ressalta a importância de preparar os portos para receber embarcações ‘linhas verdes’, que atualmente evitam o Brasil devido à falta de infraestrutura de abastecimento de energia. A aprovação do Marco Legal do Hidrogênio Verde é um passo na direção certa, mas é apenas o começo de uma jornada longa e complexa. A transição energética é ainda incipiente no setor portuário global, a produção de combustíveis como metanol e hidrogênio verde é cara e limitada, mas o Brasil tem o potencial de se destacar nesse cenário. Com 85% de sua capacidade instalada proveniente de fontes renováveis, o Brasil está em uma posição privilegiada para liderar a transição energética. O Porto de Santos, em particular, emerge como um ponto estratégico nesse processo de transição. Sua localização privilegiada, próxima a um grande centro consumidor e a um hub industrial, o torna essencial para a produção e distribuição de combustíveis de baixo carbono. Além disso, a proximidade do Porto de Santos com o setor sucroalcooleiro paulista oferece uma oportunidade única para a produção de metanol a partir de etanol, reforçando o papel do porto como um catalisador para a transição energética. A Organização Marítima Internacional (IMO) tem adotado metas ambiciosas para a descar-bonização do transporte marítimo: reduzir a intensidade de carbono em pelo menos 40% até 2030, diminuir as emissões totais de carbono em até 30% no mesmo período e alcançar emissões líquidas zero por volta de 2050. Essas metas refletem a urgência global em combater as mudanças climáticas e criam um cenário em que a adaptação dos portos brasileiros não é apenas desejável, mas necessária.