[[legacy_image_249985]] Quando as urnas colocam em cargos executivos representantes antagônicos no campo político sempre há uma expectativa de como se comportarão diante de pautas comuns. Em geral, o campo oposto envolvendo União e estados, principalmente, dificulta ou retarda o andamento de projetos, a execução de obras e o atendimento a demandas antigas que dependem das duas instâncias. Há, inclusive, a queixa de estados diante da glosa de recursos federais para este ou aquele projeto, da mesma forma na relação entre estados e municípios. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Ao completar 60 dias de novos governos em Brasília e no Governo do Estado de São Paulo, o cenário prova que há exceções. Ao menos por ora. O primeiro gesto de que a história pode ser escrita diferente quando a civilidade prevalece ocorreu logo no dia 9 de janeiro, após os atos golpistas em Brasília. O presidente Lula convidou todos os governadores para uma reunião geral e extraordinária em defesa da democracia, e lá estava o representante de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro de Jair Bolsonaro. Sua fala, aliás, surpreendeu a todos ao dizer que “estava a serviço da democracia não apenas com palavras, mas com gestos também”. Na semana passada, novo episódio de civilidade. Tarcísio de Freitas transferiu seu gabinete para São Sebastião para dar melhor atendimento às famílias atingidas pelas enchentes e deslizamentos. Na segunda-feira, Lula interrompeu agenda que cumpria na Bahia para visitar as áreas destruídas, e encontrou-se com Tarcísio e com o prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto (PSDB). Lula deu destaque ao encontro amistoso: “Sei com qual partido o Tarcísio disputou as eleições. Veja que coisa bonita e simples, nós estamos juntos. Acabou a eleição, ele tem a obrigação de governar São Paulo, e eu tenho de governar o País”. Pessoas próximas ao governador de São Paulo descartam qualquer intenção de Tarcísio de se afastar do bolsonarismo ou pavimentar novos voos políticos em 2026. Alegam que esse é o estilo de agir do ex-ministro de Bolsonaro, sem fazer distinção de cor partidária ou ideológica. De fato, quando ministro da Infraestrutura, arrancou elogios de todas as alas políticas pela habilidade em tratar de questões relevantes para o País se utilizando apenas de ferramentas e análises técnicas. Sem fazer alarde ou cavar espaço nos holofotes da mídia, foi responsável por destravar dezenas de obras que estavam engavetadas em governos anteriores, como pavimentação de estradas e aneis ferro e rodoviários. À frente do maior estado da federação, não faltam desafios para o novo governador, que tem sobre sua mesa mais de 760 obras paradas, incluindo rodoanel, metrô e escolas. Ainda que pareça impossível e incomum governar com foco no cidadão e não no próximo encontro com as urnas, que esse enredo assim continue. A reeleição, em 2026, será consequência natural.