[[legacy_image_221475]] A eleição americana de meio mandato, quando a renovação parcial dos legislativos e dos governos estaduais funciona como um reequilíbrio das forças políticas, sugeria um cerco trumpista ao presidente Joe Biden e os democratas, o que não se confirmou. O pleito, apesar de não ser o de uma disputa direta pela Casa Branca, é acompanhado com muito mais atenção pelo mundo não só pelo protagonismo dos Estados Unidos, mas para se entender se a democracia americana, após a invasão do Capitólio em janeiro do ano passado, persiste e se o efeito de furacão do ex-presidente Donald Trump continua. Tudo indica que as instituições do país respiram, apesar da polarização não dar trégua. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Pelo menos até ontem, a apuração se mostrava interminável, muito diferente do Brasil, mas já foi possível antever que a Casa Branca reagiu, com possibilidade de preservar o controle do Senado. Os republicanos devem conquistar a maioria da Câmara, mas o destaque mesmo ficou com o enfraquecimento de Trump, que apostava em uma onda vermelha (a cor dos republicanos) e viu seu adversário dentro do partido, Ron de Santis, ser reeleito governador da Flórida. De Santis teve quase 60% dos votos, inclusive com o apoio de cubanos e venezuelanos, mais conservadores do que os imigrantes que tradicionalmente votam no Partido Democrata. De Santis tem praticamente a mesma pauta de Trump, exceto o isolamento externo e, até o momento, segue as regras eleitorais. A disputa nos EUA foi tão polarizada como no Brasil, porém, aqui, o resultado saiu em poucas horas, como o The New York Times lembrou ontem. Nos EUA, o voto antecipado pelo correio atrasa o resultado em alguns estados, como Nevada e Arizona, onde não se sabe quem levará a vaga. Na Georgia, a cadeira para o Senado será decidida em segundo turno conforme a regra local. Conforme a projeção do jornal americano, ontem os republicanos somavam 209 assentos na Câmara, mas liderando a apuração para mais 12 cadeiras, o que supera as 218 para comandar a casa. No Senado, os republicanos atingiram 49 e os democratas, 48. O partido de Biden, na verdade, precisa conquistar apenas mais duas vagas, pois vice-presidentes, no caso Kamila Harris, têm direito a um voto no plenário. Apesar do respiro nas urnas, os democratas perderam espaço devido à impopularidade de Biden com a volta da inflação, uma novidade para americanos que nasceram nos últimos 40 anos. Para o Brasil, o país deve ficar atento aos temas ambientais. Os republicanos tendem a ser menos incisivos nessa área, com seus membros mais radicais contestando as mudanças climáticas ou os investimentos de Biden em energias renováveis. O Governo Lula deverá ter boas relações com Biden, mas os republicanos serão muito mais influentes e o olhar para os interesses internos dos EUA tende a ser mais forte, talvez com algum risco de apelo protecionista no lado comercial.