[[legacy_image_216832]] A uma semana da eleição, seria fundamental os dois candidatos a presidente detalharem a fundo seus planos para combater o desemprego. De fato, esse indicador melhorou nos últimos meses – em agosto, o dado mais recente, a taxa de desocupação (expressão usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/IBGE) era de 8,9%, enquanto em igual mês do ano passado o índice estava nas alturas, em 13,1%. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A queda de 4,2 pontos percentuais foi uma conquista, mas mergulhando na pesquisa, a conclusão é de que o mercado de trabalho brasileiro ainda tem um perfil decepcionante e que não é possível apenas apostar na melhora da economia para recuperá-lo. Para isso, é preciso desenvolver políticas assertivas para as várias classes de profissões e enfrentar as fraquezas de cada faixa etária na disputa por emprego e estimular a ocupação dos mais pobres, dos negros, dos jovens, daqueles que têm baixa capacitação, dos migrantes e das pessoas com deficiência. Há ainda os recém-formados dos ensinos Superior ou Técnico ou mesmo os aposentados, que precisam continuar na ativa devido à renda. Em números absolutos, os dados do IBGE ainda indicam uma profunda crise social relacionada ao desemprego. Por exemplo, o total de desocupados em novembro, apesar de estar no melhor nível desde novembro de 2015, é de 9,7 milhões de brasileiros, quase a população de Pernambuco ou da metade de Minas Gerais. A informalidade, aliás, avançou, atingiu recorde da série histórica, iniciada em 2012. São 13,2 milhões de trabalhadores sem carteira assinada. Os desalentados, aqueles que não buscam emprego porque acham que não vão encontrá-lo, se estabilizaram em 3,8% da força total, mas são muitos – 4,3 milhões. O salário médio do brasileiro, de R\$ 2.713,00 em agosto, teve uma recuperação, mas mais por efeito da deflação, segundo a coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy. Paralelamente, há dois fenômenos do trabalho que precisam ser observados e estão um pouco mais ou menos associados ao empreendedorismo por necessidade. São os profissionais que prestam serviços por meio de aplicativos de transporte e os microempreendedores individuais (MEIs), regime tributário que permite contratar no máximo um empregado e estar em dia com a Receita Federal, tanto na parte tributária quanto a previdenciária por meio do pagamento mensal por volta de R\$ 60,00. Nessas duas condições (MEI e app) há trabalhador que ficou desempregado e teve que gerar renda de alguma forma e aquele que sonhava fazer seu horário ou ter seu próprio negócio. Mesmo que não pretendam retornar como empregados, são profissionais que precisam adquirir conhecimentos específicos de como gerir uma empresa e capacitação da área em que atuam. No fim das contas, o perfil do trabalhador brasileiro é reflexo de um ensino fraco e de uma economia instável, situações que dificultam uma vida de prosperidade.