Raquel Gallinati, nova secretária de Segurança de Santos (Alexsander Ferraz/ AT) A nova secretária de Segurança de Santos, Raquel Gallinati, assumiu esta semana no lugar do coronel Sergio Del Bel prometendo um plano de ação para a área, uma espécie de “zona de segurança máxima” que atenda as expectativas dos moradores com base nas principais demandas e ocorrências registradas no Município. Um dos focos da nova titular da pasta é a população em situação de rua, em especial os usuários de drogas que circundam o túnel do Veículo Leve sobre Trilhos, no José Menino. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Acertadamente, Raquel Gallinati fala em ação transversal, que inclua também as pastas da Saúde, da Assistência Social e não apenas a Guarda Municipal. Delegada de polícia por opção de carreira, ex-presidente do sindicato da categoria e da federação nacional, Raquel Gallinati tem experiência suficiente para entender as demandas das corporações que lidam com a violência urbana, como polícias civil e militar, e as ações desencadeadas para conter a onda de crimes que rotineiramente assusta a comunidade. Seu desafio, agora, é olhar a questão da segurança pública de forma holística, ponderando quando deve haver intervenção mais rigorosa por parte dos agentes, quando a questão é de ordem social e até de saúde pública - caso de parte dos homens e mulheres que vivem em situação de vulnerabilidade pelas ruas da Cidade. Parte dos crimes cometidos em Santos - e que facilmente ganham espaço na mídia e nas redes sociais - é fruto de inação dos órgãos que deveriam cuidar da segurança, parte decorre de legislação flexível demais com os criminosos, muitos dos quais ficam livres na própria audiência de custódia, condição já bastante criticada por especialistas e até mesmo pelos órgãos da polícia estadual, civil e militar. Santos é bem provida de câmeras de monitoramento nas vias públicas, sistema complementado pela população e pelos comerciantes, que instalam seus próprios circuitos de vigilância. O que falta, muitas vezes, é integração dos sistemas e agilidade na execução de flagrantes e prisões. Desacreditada, parte da população já não recorre ao registro da ocorrência em boletins feitos na delegacia ou nos canais digitais, o que prejudica a exatidão do banco de dados oficial e, por consequência, a cobrança às autoridades estaduais e municipais. Ainda que seja atribuição do Estado, segurança pública é, de fato, um dos maiores desafios para gestores municipais e, em ano eleitoral, dar respostas convincentes aos cidadãos passa por tomar atitudes assertivas e que revertam em ampliação do conforto e da qualidade de vida, em qualquer hora do dia. Quem ocupa essa função em nível municipal precisa ter clara a radiografia da Cidade, entender os pontos cegos da segurança, articular parcerias com as esferas superiores e também com os municípios vizinhos. Mais que isso, precisa ouvir a população, os Consegs (conselhos de segurança) e avaliar, mês a mês, o resultado prático das medidas implementadas. O desafio está posto.