O Governo Lula lançou na última terça-feira o programa Brasil Contra o Crime Organizado, que prevê R\$ 11 bilhões em investimentos. A iniciativa é mais um esforço da gestão petista de demonstrar serviço nessa área, muito explorada pela oposição direitista e tema que já está no centro da disputa eleitoral. Entretanto, o plano é específico para o enfrentamento às facções criminosas que, como foi dito na solenidade de lançamento, não estão apenas nas favelas, mas também na Faria Lima (centro financeiro de São Paulo), nas empresas, no setor público, na política e no Judiciário. Admitir falhas e fazer a leitura atualizada dos fatos é da maior importância para combater as ilegalidades, abandonando o discurso tolo de que está tudo sob controle, de que não há perigo como se tem alertado. O programa federal foi estruturado em quatro eixos – estrangular fluxos financeiros das atividades ilícitas, presídios, homicídios e tráfico. Em cada um deles, o Governo Lula promete investir centenas de milhões de reais, destacando o que pretende fazer em cada área, como antecipar leilões de bens do crime organizado, fortalecer o trabalho conjunto de agentes estaduais e federais para atuação nos estados e utilizar tecnologia para extração de dados dos celulares e dos computadores. Há ainda a antiga ideia, mas urgente, de interromper a articulação dos chefes das facções nos presídios, promover 138 prisões ao mesmo nível da segurança máxima das federais e comprar kits de varredura e bloqueadoras de celulares para disciplinar as cadeias. A rigor, essas medidas não deveriam depender de um plano, sendo há bom tempo apontadas como necessárias para a segurança. Porém, para isso, são necessários recursos, que assim como em outras esferas públicas, acabaram sendo cortados por restrições orçamentárias e necessidade de cumprir regras fiscais. Agora, o governo promete destinar mais fundos, apesar de não se saber como isso será feito, se com acréscimo de dinheiro novo ou manobra de verbas, significando que algum segmento da gestão federal sairá perdendo. Planos de segurança têm sido anunciados desde os anos 1990, como nas gestões de Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff. Se deram resultados, foram pontuais, porque de lá para cá aumentou a violência urbana. O que se lamenta é que a política não conseguiu unir forças para proteger a sociedade. Por exemplo, a extrema direita defende medidas radicais, enquanto a esquerda mira programas sociais para atender as periferias – mas nenhum lado apresentou conquistas robustas até agora. Contudo, a criminalidade, que não segue teses e ideologias políticas para conseguir mais dinheiro, se articulou, matou, corrompeu e aprendeu a utilizar as novas tecnologias para crescer e dificultar o rastreio de suas operações. Agora, novas leis, planos e investimentos na infraestrutura policial tentam conter essas máfias ou mesmo a violência comum, que, de tão enraizadas na sociedade, estão mais difíceis de serem aniquiladas.