[[legacy_image_226257]] Com a previsão de um verão mais chuvoso do que o normal, o Plano Preventivo da Defesa Civil (PPDC), que entrou em vigor ontem em Santos, ganha importância estratégica pelo risco ampliado de deslizamentos e eventuais perdas de vidas nas encostas. O mesmo vale para outras cidades da Baixada Santista, como Guarujá e Cubatão, que contam com muitas comunidades em morros e um histórico recente de tragédias causadas por temporais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Do lado das prefeituras, é muito importante que os profissionais especializados e a Defesa Civil tenham equipamentos adequados e acesso a dados para que possam fazer uma rápida e eficiente leitura de chuvas intensas com alto potencial de danos. Por outro lado, é preciso que seus alertas sejam ouvidos pelas autoridades superiores para que medidas urgentes e duras possam ser tomadas – como preventivamente retirar dezenas de famílias de suas casas quando houver algum risco de queda de terra e rochas ou alagamentos. Por mais que esses alertas pareçam óbvios, o País está repleto de tragédias provocadas por chuvas que eram mais do que anunciadas. Há, entretanto, um efeito cada vez mais comum que os especialistas associam às mudanças climáticas, que são enxurradas violentas que atingem algumas regiões, resultando em muitas perdas de vidas e danos materiais. Em várias partes do País, esses casos se repetem com frequência, não só por suas características naturais de maior incidência de chuvas, mas também por uma ocupação irregular dos morros geograficamente instáveis, como é o caso da Serra do Mar – ou mesmo de bairros planos, que crescem desordenadamente e não recebem investimentos em drenagem. Nesse ponto, são poucas as prefeituras que conseguem fazer melhorias de infraestrutura. Contudo, um problema muito comum no País e escancarado na Região Serrana fluminense é a ocupação das encostas sem a devida fiscalização. Nas tragédias dessas áreas do Rio de Janeiro, que se repetem desde os anos 1980 pelo menos, mais de um estudo foi realizado, conforme já mostraram reportagens do jornal O Estado de S. Paulo. Esses levantamentos indicaram que o povoamento das áreas mais altas sempre aumentou, apesar do risco natural de enxurradas ser conhecido por lá. Não é de se estranhar que, nos últimos anos, tantas mortes tenham sido verificadas em cidades como Petrópolis e Teresópolis. No caso da Baixada Santista, espera-se que não se repita a tragédia de 3 de março de 2020, com chuvas intensas causando deslizamentos nos morros e mortes. Tudo indica que houve um esforço para conscientizar as famílias das áreas mais arriscadas sobre a necessidade de sair de casa nas horas mais arriscadas e também como identificar sinais, como trincas, lama ou mudança da cor da água. De qualquer forma, a atenção precisará estar redobrada até fevereiro, quando se prevê que temporais serão bem frequentes.