[[legacy_image_199982]] Obras de infraestrutura, principalmente as de grande porte, que exigem estudos e relatórios de impacto ambiental, investimentos vultosos e interfaces com outros sistemas logísticos, precisam ser pensadas e planejadas com bastante antecedência. A análise de tendências feita a partir de dados concretos e projeções pode dar pistas de quais obras serão necessárias a uma região décadas à frente. É com base nessa análise que especialistas e autoridades ouvidos por A Tribuna em ampla reportagem publicada no último domingo atestam: uma nova ligação entre o Planalto e a Baixada Santista precisa ser pensada, sob risco de esgotamento do atual sistema. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto de Santos, feito pela Santos Port Authority (SPA), há uma previsão de que a capacidade do complexo portuário santista será elevada em cerca de 50% (para 240,6 milhões de toneladas anuais descarregadas). E também conforme a SPA, embora a ferrovia esteja ganhando maior participação no transporte de cargas, ainda é o modal rodoviário o mais demandado. Em 2020, 55% das cargas movimentadas no Porto chegavam por caminhões, e 33%, por trens. Para 2040, respectivamente, deverão ser 48% e 40%, o que reduziria o tráfego de caminhões na Via Anchieta. Os dados presentes e as projeções futuras estão a indicar uma nova ligação, que preveja todos os modais e suas variantes, precisa ser pensada. No Brasil, a história tem provado que obras de grande porte, como a construção de uma estrada, uma ponte ou um túnel, não são unanimidade nem mesmo entre os órgãos licenciadores. Além disso, pela complexidade que é ligar o planalto à Baixada Santista tendo no meio a Serra do Mar, é de se esperar que muitos estudos de viabilidade técnica e financeira serão necessários. Importante destacar, porém, que hoje já há tecnologia e materiais que reduzem os impactos e garantem o mesmo grau de segurança a motoristas e cargas. Nos últimos anos, muito se tem debatido a necessidade de novos pilares econômicos para a região, capazes de atrair o setor empresarial, gerar empregos, gerar impostos e riquezas. No entanto, é preciso acrescentar às preocupações sobre capacitação profissional e necessidade de áreas a que diz respeito à logística, ao ir e vir de produtos, matérias primas e pessoas. Para qualquer setor que se olhe com foco na região, a sobrecarga futura no Sistema Anchieta-Imigrantes pode ser um impeditivo e um ‘senão’ ao investidor. E mesmo imaginando maior fluxo na área onde a Baixada Santista já é destacada, como o turismo, o esgotamento das atuais estradas pode afugentar quem para cá queira se deslocar. A terceira ligação entre o planalto e o Litoral não é uma agenda para o hoje, mas deve, sim, estar na pauta das autoridades, dos gestores públicos e dos parlamentares que querem ver a Baixada Santista despontando para o futuro. Um futuro já não tão distante.