(Marcelo Casal/Agência Brasil) Essencial no dia a dia dos brasileiros, o meio de pagamento Pix ganhou exposição mundial com a guerra tarifária do presidente americano Donald Trump. No último dia 15, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, em inglês) abriu investigação comercial contra o Brasil, incluindo o Pix como uma das políticas brasileiras que prejudicam as empresas dos EUA. Para analistas, a iniciativa da Casa Branca soou como uma reação à pressão da Meta, criadora do Facebook Pay, e das operadoras de cartão de crédito. Alguns apontaram até ingerência do nicho de criptomoedas, que participou da campanha trumpista e agora influencia a área econômica do Governo Trump. Com o ataque de Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva levantou a bandeira do “Pix é nosso”, tal como o mote do petróleo de década atrás. A defesa do Pix mostra sua evolução enquanto instituição da economia ao sobreviver à troca de ocupantes do Palácio do Planalto – foi desenvolvido pelo Banco Central a partir da gestão de Michel Temer, sendo lançado na administração de Jair Bolsonaro e, sob Lula, dominou de fato as operações financeiras. Com o empurrão de Trump, o Pix, já conhecido nos meios técnicos internacionais, ganhou fama mundial. O reconhecimento mais importante veio nesta semana com o artigo do Prêmio Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman, e com reportagens de jornais de prestígio, como o Financial Times. Porém, o Pix é apenas um dos vários meios de pagamento instantâneo no mundo, apesar de ser um dos mais abrangentes. No Brasil, a concentração bancária e a gestão do sistema pelo Banco Central permitiram criar um ecossistema gratuito e dominante, substituindo o dinheiro físico e a TED e tomando mercado dos boletos e cartões. Em pelo menos 50 países que avançaram com a ferramenta, ela é geralmente operada por um consórcio de bancos, com cobrança de tarifas, ou aplicativos privados, como o Wechat, na China, ou funciona para os mais pobres e operações com pequenas quantias. Nos EUA, o modelo ainda é incipiente, segundo Krugman, com participação de 2% nas operações financeiras, enquanto no Brasil atingiu 93%. O sistema nacional deu tão certo que já está disponível, via parcerias locais e para atender brasileiros, na Argentina, Portugal e até os EUA. No Brasil, o meio instantâneo provocou uma revolução nos negócios, eliminando custos e perda de tempo ao dispensar compensações bancárias e confirmar na hora o pagamento. Mas há reflexos ruins, como sequestros para tomar dinheiro das vítimas, assim como organizações criminosas fazem transações com grande facilidade. Há ainda o risco da instantaneidade ao sistema financeiro. Em 2023, com as notícias de bancos médios regionais dos EUA em situação difícil, os clientes sacaram em minutos seus recursos, o que acelerou a quebra das instituições. São imperfeições que precisam ser corrigidas pela contínua inovação do Pix e equivalentes em outros países.