(Padron / Adobe Stock) Os juros seguem altíssimos, famílias, empresas, fazendeiros e governo permanecem endividados e a inflação voltou sob o impacto da disparada do petróleo. Neste contexto, o Produto Interno Bruto (PIB, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), do primeiro trimestre avançou 1,1% na comparação com o período imediatamente anterior (outubro a dezembro). Essa taxa, anualizada, leva a um crescimento de 2%, o que é razoável. Tal desempenho impressiona pelo quadro de incertezas e bolso relativamente curto. A gastança do governo explica esse ritmo, com programas sociais turbinados, linhas de financiamento subsidiadas e crédito imobiliário volumoso e com taxas inferiores à Selic. Mas isso pesa sobre as contas públicas, que, deficitárias, mantêm a relação dívida bruta/PIB em 80%, indicando que, em breve, um ajuste mais sofrido terá que ser feito. Os economistas alertam que a injeção de dinheiro na economia, impedindo uma queda mais consistente da inflação, adia o afrouxamento da política restritiva do Banco Central. Apesar do caso brasileiro gerar preocupação, o rombo estatal se tornou uma epidemia mundial, com países ricos e emergentes utilizando estímulos para aquecer o consumo e o investimento e gestões impopulares evitando irritar o eleitorado. Analisar o desempenho do governo na economia é uma necessidade, mas se deve reconhecer que o País completou, até esta última pesquisa do PIB, 19 trimestres seguidos de crescimento. O saldo positivo da balança (exportações menos importações) segue vigoroso, apesar da insegurança lançada no ano passado pela guerra tarifária de Donald Trump, e da valorização do real desestimular as vendas externas. Agora, ainda com as tensões no Oriente Médio, o País segue vendendo muito, resultado da boa safra e maior exportação de petróleo, efeito que deve aparecer no PIB do segundo trimestre. Entretanto, os economistas lembram que a guerra reaqueceu a inflação e que a queda dos juros será menor. Além disso, o impacto da safra costuma arrefecer ao longo do ano devido à colheita concentrada de janeiro a maio. Por isso, os analistas dizem que o PIB do primeiro trimestre não se repetirá até o fim do ano, não significando um recuo – espera-se um PIB de 0,4% no segundo trimestre. Falta confirmar a eficiência das políticas do presidente Lula para melhorar a economia, com um impacto até acima do esperado. Aparentemente, o endividamento começou a cair com o novo Desenrola e a isenção tributária sobre salários até R\$ 5 mil, que vai completar seu primeiro semestre, poderá ampliar a sensação de aumento da renda, estimulando o consumo. O País segue com baixo investimento em bens de produção, de 16,5% sobre o PIB, inferior aos 30% na China e Índia, e não consegue melhorar a produtividade. Neste ritmo, o PIB fica preso a taxas baixas para não estimular a inflação. Pelo menos, uma recessão não está no radar das analistas.