(Getty images) A confusão geopolítica armada pelo presidente americano Donald Trump no Oriente Médio empurrou de novo o barril do petróleo para US\$ 100 na semana passada. Com a retomada da disparada das cotações, os governos, inclusive o do Brasil, foram obrigados a refazer suas estratégias perante o conflito. Portanto, espera-se que a gestão petista, pressionada em período eleitoral, seja cuidadosa para não tomar medidas precipitadas, lembrando que ambos os lados da guerra indicam que não querem um confronto em larga escala. Com a volta do barril à faixa de US\$ 90-US\$ 100, os juros futuros avançaram nos mercados mundiais porque o produto mais caro amplia a expectativa de inflação – e contra ela os bancos centrais teriam que elevar suas taxas básicas. No Brasil, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, sinalizou mais um corte da Selic no próximo dia 5. Porém, já há analistas que acham que a autoridade monetária mudará de opinião até lá se a crise escalar. O petróleo mais caro, décadas atrás, significava a ruína do Brasil. Hoje, a Petrobras se transformou em uma máquina que fatura em dólares, excelente para a balança comercial. Mas o barril a níveis tão altos também traz problemas por aqui. A logística brasileira está centrada em rodovias, o que dissemina o custo maior dos combustíveis fósseis no balanço das empresas, irrigando a inflação por toda a economia. Após a guerra no Oriente Médio, que começou no fim de fevereiro, o Governo Lula adotou subsídios na gasolina e no diesel para segurar os preços. Com o fracasso da trégua, o problema voltou e o desconto no litro bancado pelo dinheiro público acabou sendo estendido. A medida, desde que seja mantida emergencialmente, está em linha com as de outros vários países, que decidiram reter o impacto do petróleo no bolso da população. Diferentemente das anteriores, essa crise de petróleo não está centrada na oferta – hoje há muita produção no mundo, inclusive com a colaboração do Brasil e da Guiana. O nó está nos fluxos do produto pelo Estreito de Ormuz. Na semana passada, a confusão aumentou porque os aliados iemenitas do Irã passaram a atacar as embarcações que deixavam o Mar Vermelho pelo Estreito de Bab el-Mandeb, que dá acesso ao Oceano Índico. Por lá navegam não somente petroleiros, mas também navios com todo tipo de mercadoria entre a Europa e a Ásia. Tudo indica que essa crise ajudará a acelerar a transição dos combustíveis fósseis para as fontes limpas, como no caso dos carros eletrificados. Paralelamente, uma mudança nessas proporções também amplia a corrida mundial por minerais críticos, essenciais para as novas tecnologias. São novas disputas que passam a ser desenvolvidas, com o Brasil bem posicionado por ter reservas abundantes desses minerais e um programa de energias verdes bem delineado. Espera-se que o Executivo e o Legislativo saibam tomar as devidas iniciativas para aproveitar esse potencial.