Houve reação na cotação do barril de petróleo no final da última semana, após o preço ter caído a menos de US\$ 25. Em menos de um mês, os preços chegaram a desabar 50%, refletindo a atual crise provocada pelo coronavírus, agravada pelas tensões entre a Arábia Saudita e Rússia sobre reduzir a produção. Mesmo com a melhora, o problema persiste e as grandes empresas mundiais estão se adaptando à nova realidade. A Petrobras lançou conjunto de medidas para se adaptar à queda de preços, com mudanças estruturais que permitam sua sobrevivência com o barril de petróleo cotado abaixo de US\$ 30. Seguindo todas as petroleiras, a estatal anunciou corte de 29% nos investimentos para 2020, que passarão de US\$ 12 bilhões para US\$ 8,5 bilhões, acompanhado de outras iniciativas para contenção de gastos e fortalecimento de seu caixa, incluindo a paralisação da produção em campos de maior custo. Há clara redução da demanda – a paralisia mundial afeta a economia, que mergulha a passos largos para a recessão, com menor consumo de petróleo e derivados – e isso forçou a Petrobras a cortar sua produção em 100 mil barris diários, cerca de 4,5% do total. Analistas destacam que a estatal brasileira foi a primeira grande petroleira no mundo a anunciar redução de produção, e será preciso acompanhar com atenção os níveis de estoque de petróleo e derivados, mais críticos. Não há, porém, opção. A Petrobras age corretamente ao buscar adequar-se aos novos tempos, mesmo que isso signifique perdas. As medidas permitem sua sobrevivência e a retomada mais adiante. Já há alguns sinais positivos com a recuperação da China, que é compradora do petróleo nacional e o maior destino das exportações da Petrobras. No mercado interno, a demanda por derivados está se reduzindo de modo significativo, principalmente no consumo de gasolina, enquanto o recuo no diesel é bem menor, com o agronegócio em funcionamento normal. Essa situação impõe à Petrobras aumentar suas exportações de derivados, sobretudo aqueles que têm registrado maior demanda, como é o caso do combustível de navegação, o bunker. As refinarias nacionais, entretanto, que vinham operando com fator de utilização de 79%, já viram o índice cair para 74%, e ele poderá ser ainda menor em abril e maio. Interrompem-se agora planos, como o desinvestimento da Petrobras, baseado principalmente na venda de suas refinarias, que pode proporcionar de US\$ 20 bilhões a US\$ 30 bilhões até 2024. Da mesma forma, leilões no pré-sal, programados para este ano, também sofrerão adiamentos. São tempos difíceis para todos, e o petróleo sofre com isso, a exigir atenção e medidas duras. A Petrobras anunciou que cortará US\$ 2 bilhões em despesas operacionais e reduzirá e adiará gastos – US\$ 2,4 bilhões em recursos humanos.