[[legacy_image_230032]] Depois de ter congelado o aumento dos pedágios das rodovias em junho, quanto estava na pré-campanha à reeleição, o governador Rodrigo Garcia (PSDB) decidiu, nesta semana, conceder às concessionárias o reajuste entre 10,72% e 11,73% que deveria ter entrado em vigor em 1º de julho. Com o recuo do Governo do Estado, no caso das vias Imigrantes e Anchieta, a taxa subirá de R\$ 30,20 para R\$ 33,80, enquanto na Cônego Domênico Rangoni, com acesso a Guarujá, o valor passará de R\$ 14,20 para R\$ 15,80. Na Padre Manuel da Nóbrega, que chega ao Litoral Sul, passará de R\$ 8,20 para R\$ 9,20. Conforme a medida, esses valores passam a vigor nesta sexta (16), surpreendendo os motoristas. São taxas salgadas que pesam no bolso e só por esse motivo deveriam ter sido anunciadas com alguma antecedência, ainda que seja resultante de uma aumento que não foi aplicado em junho. Também será um custo a mais a quem já tinha planejado passar as festas de fim de ano na região ou mesmo viajar do Litoral para o Interior, lembrando que os aumentos foram concedidos em todo o Estado para as 18 concessionárias que operam as rodovias paulistas. Portanto, quem pretende percorrer trajetos mais longos, passando por vários pedágios, terá que refazer seu orçamento. Assim, os cidadãos e os empresários merecem uma previsibilidade para qualquer gasto extra. Porém, ficou a impressão de mais um reajuste de tarifa de concessão pública que os governos costumam empurrar para depois das eleições, como forma de evitar uma medida impopular nesses períodos. Os valores do pedágio são calculados com base na inflação acumulada em 12 meses, de junho do ano passado até maio último. Na época em que a decisão do adiamento do reajuste foi anunciada, o Governo do Estado alegou que optou pelo congelamento devido à inflação e à “alta desenfreada” dos preços dos combustíveis, explicação que foi relembrada pela Agência de Transporte do Estado (Artesp) e também a Ecovias, em respostas publicadas nesta quinta (15) em A Tribuna. Como esses aumentos são previstos em contrato, a solução foi prever um repasse a essas empresas até o fim deste ano, de R\$ 400 milhões, para compensá-las pela receita que deixou de ser computada. Segundo a Folha, a compensação foi prevista em três parcelas bimestrais, sendo que as duas primeiras somaram R\$ 410,5 milhões e a última, referente ao período de 16 de outubro até ontem, seria calculado posteriormente. Na última quarta-feira (14), Garcia disse “não achar justo deixar” o anúncio do aumento para a próxima gestão (de Tarcísio de Freitas). Entretanto, quem vai ficar efetivamente com a conta são os usuários, que vão arcar com esse custo extra em fim de governo. Os aumentos são inevitáveis, mas a população deveria ter sido preparada para esse reajuste, aliás, que reflete uma inflação passada, e não a atual, que está em desaceleração.