A pandemia do coronavírus não acabou. O vírus não está banido do Planeta. A vacina ainda não foi descoberta e, portanto, a contaminação continua ocorrendo. Colocadas assim, as afirmativas parecem jogar um balde de gelo em cima do clima de euforia que tomou conta da Baixada Santista, agora, em que as prefeituras receberam sinal verde para colocar em prática seus planos de retomada das atividades comerciais. Seguindo seu Plano São Paulo, um conjunto de regras que estabelecem quando e de que forma essa retomada se dará nos 645 municípios paulistas, o governador João Doria anunciou ontem a migração da Baixada Santista da fase um, vermelha, para a dois, laranja. Nesse etapa, parte dos comércios e serviços já pode voltar a funcionar, seguindo regras, horários e condições bem determinadas, que obedecem as curvas de evolução da pandemia. Na Baixada Santista houve boa evolução dos índices, como taxa de ocupação de leitos de terapia intensiva, que baixou de 72,6% para 69,1%. Além disso, cresceu a média de vagas por 100 mil habitantes, de 15,4 para 18,1. Apesar de ter havido aumento de 7% no número de internações, o total de casos e mortes teve quedas reduzidas, de 1% e 3% respectivamente. A performance deve ser comemorada, é fato, mas para que não vença a tese de que a retomada foi prematura, será preciso um alto nível de conscientização por parte do público. Não é hora de euforia exacerbada, de aglomerações como se tem visto na porta de alguns centros comerciais Brasil afora. Caso isso aconteça, não será preciso que o Estado anuncie a regressão de fase: as próprias prefeituras precisarão rever as regras para não estrangular a rede de saúde. O afrouxamento da quarentena em algumas cidades do interior paulista precisou ser revisto depois do surgimento de novos surtos da doença, fruto da falta de conscientização por parte do público. Foi o que aconteceu em Araraquara, Bauru, Ribeirão Preto, Barretos e Presidente Prudente, que ontem regrediram de fase segundo o plano do Governo do Estado. A Baixada Santista tem todos os elementos para fazer diferente, e dar o bom exemplo ao Estado e ao país. O cenário econômico do Brasil, que vinha com boas perspectivas para este ano, foi duramente abalado com a chegada da pandemia. Na Baixada Santista não é diferente. Dados preliminares indicam que ao menos 10 mil postos de trabalho foram fechados nos meses de abril e maio, quando a pandemia já se fazia presente. Comerciantes e empresários têm feito sua parte, com medidas de sanitização à entrada dos estabelecimentos, limitação de público e distanciamento no interior das lojas. Além disso, o próprio plano de retomada já impõe limites de horários e dias de funcionamento. Resta, agora, que o público faça sua parte. Sem euforia. Sem aglomeração. O verdadeiro sentido de compra consciente.