(Divulgação) O cinema tem uma capacidade singular de projetar países, histórias e identidades para além de suas fronteiras. Em poucas horas de narrativa, uma produção apresenta ao mundo paisagens, conflitos, culturas e sensibilidades que ajudam a formar a imagem de uma nação. Não por acaso, as grandes premiações internacionais do audiovisual se tornaram vitrines poderosas para diferentes cinematografias. Esse é o espaço onde o Brasil vem se consolidando. O Oscar, que será entregue amanhã, mais uma vez coloca o Brasil no centro de uma conversa global sobre cinema. Independentemente de o País conquistar ou não uma estatueta, há algo que já não pode ser retirado: o cinema brasileiro alcançou uma posição de destaque que evidencia talento, criatividade e capacidade de competir em alto nível na maior vitrine da indústria audiovisual do planeta. A presença de O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, entre os indicados deste ano reforça um momento especial. Não se trata apenas de uma indicação ou de um possível prêmio, mas de um reconhecimento que resulta de décadas de construção artística, técnica e profissional. O filme, protagonizado por Wagner Moura, chega ao Oscar cercado de expectativa e demonstra que o Brasil tem hoje condições de disputar espaço com produções das maiores indústrias cinematográficas do mundo. Esse momento ganha ainda mais significado quando se observa a sequência recente. No ano passado, o País já havia alcançado grande repercussão internacional com Ainda Estou Aqui, consolidando dois anos consecutivos de forte presença brasileira no cenário do cinema mundial. O cinema brasileiro já demonstrou sua força em outras ocasiões. Central do Brasil, em 1999, levou Fernanda Montenegro a uma indicação histórica de Melhor Atriz e colocou o País novamente no radar do Oscar. Anos depois, Cidade de Deus conquistou quatro indicações e se transformou em um fenômeno internacional. Cada uma dessas conquistas ajudou a pavimentar o caminho para que novas produções brasileiras alcançassem projeção global. Mais do que prêmios, esse reconhecimento revela algo essencial: o audiovisual é um setor estratégico, com enorme potencial econômico e de geração de trabalho. Por trás de um filme existe uma cadeia complexa de profissionais de variadas áreas. Por isso, o momento atual também convida a uma reflexão. Se o talento brasileiro já conquistou respeito internacional, é fundamental que o País olhe para o audiovisual como um mercado de trabalho estruturado, que precisa de investimento, formação profissional e políticas capazes de fortalecer sua cadeia produtiva. Mais do que celebrar possíveis prêmios, o Brasil deve celebrar o caminho que vem sendo construído. Estar presente na maior premiação do cinema mundial não é apenas um reconhecimento artístico. É, também, um sinal de que o País possui uma indústria criativa capaz de dialogar com o mundo.