A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia do coronavírus, reconhecendo que não é mais possível a estratégia de conter a proliferação da doença. A transmissão se espalhou em diferentes países do mundo de forma simultânea, e trata-se de desencadear ações não mais voltadas a casos isolados, e sim abordar toda a população, com prioridade aos mais vulneráveis. A expansão do coronavírus é enorme. Nas duas últimas semanas, o número de casos fora da China cresceu 13 vezes e o número de países afetados triplicou. Em apenas uma semana, as nações com a doença passaram de 45 para 114. Até fevereiro, a OMS insistia que a proliferação em grande escala estava ocorrendo apenas nas cidades chinesas, e era possível conter os casos fora do país. Isso foi, entretanto, superado. O risco global já havia passado para "muito elevado" e a preparação para a nova fase foi iniciada. Enquanto Tedros Gheberyesus, diretor-geral da OMS, fazia o anúncio da declaração de pandemia, os telões na entidade mostravam a dimensão do surto pelo mundo, com 118 mil casos confirmados e mais de 4,2 mil mortes. Não há dúvida que haverá crescimento expressivo da quantidade de pessoas doentes nos próximos dias no Brasil. O momento é grave, e exige mobilização das autoridades públicas para aplicar políticas de saúde emergenciais que evitem mortes e riscos para toda a população. As reações forem imediatas. A Bolsa de Valores de São Paulo registrou queda de mais de 10% no meio da tarde de quarta-feira (11), acionando o "circuit breaker", e fechando o dia em queda de 7,64%. Os efeitos sobre a economia global serão expressivos, e o crescimento do PIB nacional foi reduzido, pelo próprio governo, de 2,4% para 2,1% neste ano. O banco suíço é mais pessimista, e projeta expansão de apenas 1,3% em 2020. A declaração de pandemia não deve desencadear pânico generalizado. A OMS alerta que não se trata de mudança radical de estratégia, abandonando a contenção da doença para tentar apenas mitigar seus efeitos. 90% dos casos estão em apenas quatro países, e é um erro abandonar a contenção. Os esforços devem ser no sentido de evitar a aceleração da sua propagação. A evolução da doença no Brasil é um fato que tende a se intensificar. Não deve, porém, ser motivo para corridas desesperadas ao sistema de saúde, que pode levar ao seu colapso. As orientações são para que todos se conscientizem do problema, tenham cuidados básicos de higiene, mudem hábitos de cumprimentos, mas com a certeza que a maior parte dos infectados terá apenas sintomas de resfriado comum. Nesse instante crítico, é preciso agir com determinação para enfrentar a pandemia. Mas isso deve acontecer sem pânico, mantendo-se a necessária calma, e seguindo a orientação das autoridades de saúde.