(Sharon McCutcheo/Unsplash) Na semana passada, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou os Estados Unidos em um degrau, de Aaa para Aa1. A decisão indica que o investidor que comprar títulos públicos americanos não usufrui mais do nível máximo de segurança contra calote, apesar do país estar ainda inserido no grau de investimento, o selo de bom pagador. O caso, entretanto, serviu como alerta ao mercado mundial sobre o endividamento público, que é um problema global antigo, não só do Brasil. Segundo o portal Trading Economics, o Sudão, que está em guerra e é uma das economias mais pobres e caóticas do mundo, tem dívida pública de 272% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Mas o surpreendente é que o Japão é o segundo colocado, com 237%. Cingapura está em terceiro, com 173%, enquanto Itália, em oitavo lugar, com 135%, e os EUA, em décimo, com 124%, completam a lista dos bem-sucedidos que assustam os analistas. O Brasil, em 44o, tem dívida pública de 76,5% sobre o PIB, um percentual menor, mas que deixa o País num contexto pior do que o enfrentado pelos ricos. Essa proporção já foi muito melhor, pouco acima de 50%, no Governo Dilma Rousseff, antes da grande crise de sua gestão. Por aqui, o endividamento é corrigido por juros altíssimos, situação que não se tornaria tão grave se o Brasil tivesse adotado uma política de longo prazo de redução estrutural das despesas. Isso envolveria repensar salários públicos, o alcance das políticas de transferência de renda, subsídios e, enfim, o tamanho do Estado na economia, o que envolve bancos federais e estatais. O mercado americano ainda está digerindo o rebaixamento pela Moody’s, a última das três principais agências (as outras são S&P e Fitch) a revisar o rating dos EUA. A Moody’s mantinha os EUA com a melhor avaliação desde 2017. A notícia parece ter abalado a Casa Branca, pois a decisão veio em um momento de críticas contra o presidente Donald Trump. Um de seus porta-vozes até lançou dúvidas sobre a competência do economista da Moody’s, Mark Zandi, acusando-o de ser oponente de Trump. Assim como no Brasil, os países ricos também têm endividamento ascendente, com a diferença de que suas economias são mais estáveis. Porém, tudo piorou com a decisão dos governos de “curar” as grandes crises com injeção de capital público, como no caos financeiro de 2008 e na pandemia. No Brasil, durante o Governo Bolsonaro, a proporção dívida/PIB chegou a 96%, reflexo da covid-19, mas ela recuou para menos de 80% antes do fim dessa gestão. O desafio para as potências é que agora estão com juros mais altos incidindo sobre suas dívidas. O risco é o mercado não ver mais razão para sustentar governos gastadores, cobrando taxas mais altas para comprar seus papéis, lembrando que muita emissão de títulos estimula a inflação. O temor é de que esse quadro (dívida, juros e inflação elevados) gere uma era de desequilíbrios e baixo crescimento.