Foto ilustrativa (Vanessa Rodrigues/ AT) Janeiro acabou com uma estatística alarmante: foi o mês mais quente registrado pela série histórica do Serviço Copernicus para Mudanças Climáticas da União Europeia. A temperatura do planeta registrou 1,75 grau Celsius (°C) acima do nível pré-industrial, uma régua adotada pelos países para avaliar o nível de gravidade das mudanças climáticas e o ponto do não-retorno. Janeiro deste ano ficou 0,79°C acima da média de 1991-2020 para o mês. A constatação surpreende cientistas que se debruçam sobre a temperatura do planeta porque a previsão, com a entrada da La Niña no Oceano Pacífico e seu efeito de resfriamento temporário nas temperaturas globais, a expectativa era terminar o mês com melhores notícias. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O registro leva o planeta ao 18º mês - dos últimos 19 meses - em que a temperatura média global do ar superficial foi superior a 1,5°C acima do nível pré-industrial. De fevereiro de 2024 a janeiro de 2025, o planeta ficou 1,61°C acima da média estimada de 1850-1900 usada para definir o nível pré-industrial. De acordo com o relatório do Copernicus divulgado quinta-feira, as temperaturas acima da média foram observadas principalmente no sudeste da Europa, nordeste e noroeste do Canadá, Alasca e Sibéria, sul da América do Sul, África e grande parte da Austrália e Antártica. Diante de um quadro cuja reversão depende de medidas adotadas de forma global, resta às cidades adotar ações que mitiguem os prejuizos e promovam, de alguma forma, o bem estar de sua população. Uma das ações mais acertadas é o manejo correto de sua arborização, eliminando áreas cinzas onde o concreto e o asfalto predominam. Uma cidade bem arborizada traz inúmeros benefícios para a população, para o meio ambiente e até para a economia. É sabido que as árvores absorvem gases poluentes como CO2, monóxido de carbono e dióxido de enxofre, reduzindo a poluição do ar. Além disso, liberam oxigênio e filtram partículas suspensas, diminuindo doenças respiratórias na população. Em relação ao clima, a presença de árvores reduz a temperatura nas cidades, combatendo o efeito ilha de calor urbana. Estudos comprovam que áreas arborizadas podem diminuir a temperatura em até 5°C, tornando o clima mais agradável. Por fim, as raízes das árvores ajudam a absorver a água da chuva, evitando o acúmulo excessivo e reduzindo riscos de alagamentos. Bairros arborizados costumam ter imóveis mais valorizados, pois são mais agradáveis para se viver. O manejo da arborização urbana é tarefa das prefeituras, mas nem sempre é entendida como prioridade. O histórico do clima, porém, tem mostrado que outros janeiros poderão ser ainda mais quentes, o que pressupõe criar mecanismos de resiliência efetivos e, de preferência, com soluções baseadas na natureza. Planejar cidades cada vez mais verdes é uma solução comprovadamente eficiente.