A oficialização da primeira fase do acordo comercial entre China e Estados Unidos desencadeou onda de otimismo nos mercados financeiros. A tranquilidade é maior, reduzindo as perspectivas de desaceleração global anunciadas até pouco tempo. A atividade econômica nos EUA atingiu em dezembro o ponto mais alto em cinco meses, enquanto a produção industrial e consumo na China vêm acelerando. A indústria chinesa avançou 6,2% em doze meses (até novembro), mais do que os 5% projetados. Além do acordo China-EUA, estão em fase final novos entendimentos comerciais norte-americanos com México e Canadá. O resultado eleitoral na Grã-Bretanha amenizou incertezas sobre a saída do país da União Europeia, fato que agradou o mercado, e o Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, anunciou que fará uma pausa no corte de juros, sugerindo estabilidade da economia. Analistas começam a rever suas projeções, que convergem agora para o crescimento econômico moderado em 2020. As ações globais vêm subindo, em cenário favorável ao investimento privado. Nos EUA, a indústria manufatureira vem avançando, embora em ritmo menor do que em novembro, e a nota positiva vem da expectativa de aumento mais sólido no setor dos serviços. Riscos de recessão são afastados, e o mercado já prevê que a economia norte-americana possa avançar 2,2% em 2020. No plano global, o cenário é mais moderado. O crescimento deve ficar em 3% em 2019, a menor taxa desde a crise financeira de 2008-2009, mas o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê melhora no ano que vem, com aumento de 3,4%. Economistas do Banco Central Europeu reduziram as previsões para o crescimento em 2020 na zona do euro para 1,1%, e sua presidente, ChristineLagarde, apontou para "sinais iniciais de estabilização", o que não pode ser considerado totalmente negativo. Todo esse quadro tem reflexos no Brasil. Um dos principais termômetros de risco do País, o custo doCreditDefault Swap (CDS) de cinco anos, espécie de seguro contra calotes, atingiu 98,32591 pontos básicos, nível mais baixo nos últimos cinco anos. O dólar vem recuando, e acumulou queda de 4,21% entre 1º e 16 de dezembro, contra um salto de 5,73% em novembro. O índice Bovespa continua subindo, e o destaque nesta semana foram ações dos grandes varejistas, indicando a confiança no desempenho do setor, ligado ao maior consumo das famílias nos próximos meses. O ponto mais importante é, sem dúvida, a melhoria da imagem do Brasil perante os investidores internacionais. Ela se deve em parte a movimentos globais, mas indica que, a partir de 2020, os ativos nacionais têm condições de decolar de forma mais intensa. Embora não seja prevista a recuperação do grau de investimento do País imediatamente - ela pode demorar anos - os sinais são positivos e animadores.