[[legacy_image_149311]] Na última segunda-feira (7), mais uma vez a Baixada Santista enfrentou transtornos com chuvas intensas em curto período de tempo. Durante a madrugada, moradores acordaram com suas casas alagadas, motoristas buscaram vias alternativas para escapar de ruas e avenidas tomadas pela água e crianças não conseguiram retornar às aulas. O temporal castigou mais Cubatão, Praia Grande e São Vicente, mas trouxe muita apreensão às outras cidades, como Santos, onde as comunidades dos morros vivem momentos de tensão nas tempestades, ainda mais com a tragédia de março de 2020, que matou 45 moradores e bombeiros na região. Com as mudanças climáticas, os cientistas preveem que a imprevisibilidade dos temporais tende a ser mais constante e com fenômenos torrenciais. Assim, é urgente que as cidades da região se estruturem contra grandes enchentes, que em sua maioria resultam de problemas urbanos que não foram resolvidos, como habitações precárias em áreas perigosas e sistemas de drenagens ineficientes. Aliás, nesse último caso, a decisão da Prefeitura de São Vicente de tirar parte dos recursos da drenagem para pagar subsídios a empresa de ônibus, conforme A Tribuna publicou nesta terça-feira (8), ainda que o sistema de transportes passe por uma situação grave, eleva os riscos do município sofrer danos ainda maiores com enchentes. O que impressiona é que essa medida foi divulgada no mesmo dia em que São Vicente foi duramente atingida pelas chuvas. As cidades da região também precisam desenvolver um sistema de alertas eficiente e de evacuação das comunidades de áreas sujeitas a catástrofes, incluindo conscientização dessas populações, pois é comum a resistência a sair de casa. Deve-se lembrar que, há poucas décadas, os programas preventivos nos morros de Santos eram bem elogiados e considerados exemplares no País, mas as tragédias de 2020 recomendam prioridade com esses trabalhos. Nos dias de chuvas, motoristas da região se valem de grupos no WhatsApp para se orientarem sobre que trajeto seguir - hoje há alertas da Defesa Civil sobre chuvas, mas assim que são recebidos, não se sabe o que fazer em seguida. O ideal seria haver um programa oficial metropolitano que disparasse avisos com informações e instruções mais pontuais, o que exigiria muita coordenação entre as prefeituras. Cobradas por respostas mais eficientes, as autoridades muitas vezes alegam que não há como escapar quando chove muito em poucas horas, mas é preciso alertar melhor a população, pois muitas famílias já sabem o que fazer por seus bairros serem mais visados - isso, aliás é um sinal de que essas áreas não contaram com os devidos investimentos em infraestrutura. Os cidadãos pagam seus impostos - e não são poucos - e precisam receber em contrapartida os serviços públicos. Desta vez, por sorte, não houve mortes, mas o risco continua. É inadmissível essa situação continuar como está.