[[legacy_image_281133]] Como mais um sinal de aquecimento da economia, ainda que em níveis modestos, os serviços avançaram em maio, na comparação com abril, na grande maioria de seus segmentos e em 24 das 27 unidades da federação. Enquanto no País o avanço mensal foi de 0,9%, em Mato Grosso, atingiu pico de 22,5% e, em Goiás, de 5%. São Paulo foi uma das exceções, com recuo de 1,5%. Os dados ainda não indicam um quadro de expansão consolidado, mas de recuperação após o baque da pandemia – os analistas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pela pesquisa, afirmam que ainda há reflexos da covid-19 na economia. Nos últimos 12 meses dos serviços, o setor recuou em três – outubro (-0,2%), janeiro (-3,4%) e abril (-1,5%), mais um sinal de que o crescimento não está garantido, apesar de haver uma grande possibilidade de que continue. A torcida é para que isso ocorra, pois os serviços são a base da economia brasileira e empregam uma massa de trabalhadores de baixa capacitação, a que mais sofre em tempos de crise ou expansão tímida do Produto Interno Bruto (PIB). Para que a retomada vire um crescimento de longa duração, a inflação precisa permanecer comportada e o Banco Central começar a cortar os juros em agosto. Além disso, é fundamental o governo passar sinais de segurança ao mercado para estimular o aumento dos gastos e investimentos das famílias e empresas, decisões que têm impacto direto no setor de serviços. Por isso, o Planalto deve se esforçar pelo rápido desfecho da reforma tributária, sem desfigurá-la, e do arcabouço fiscal, que limita as despesas federais. Em maio, apesar do avanço disseminado dos serviços, o indicador esteve sustentado na expansão de transportes e tecnologia da informação, respectivamente, de 2,2% e 0,6%, na comparação com abril. O desempenho dos dois segmentos está entrelaçado. Além dos transportes crescerem associados ao agronegócio, houve maior movimentação de encomendas do e-commerce, que está em expansão desde a pandemia. Mas ainda não se sabe se o varejo físico retomará sua participação ou se ambos vão se apoiar sem canibalização. A pesquisa de serviços também analisou o turismo, que embute outra boa notícia. Houve crescimento de 4% em maio, na comparação com abril. Dos 12 estados pesquisados, 11 avançaram no mês, incluindo São Paulo, com 2,8%. Nos últimos 12 meses, o transporte aéreo de passageiros, apesar da disparada dos preços das passagens, o rodoviário. locadoras de veículos, serviços de bufê e agências de viagens registram aumento de receita, enquanto hotéis e restaurantes tiveram bom desempenho de janeiro a maio. Para economistas, há demanda reprimida no turismo devido à população que não viajou na pandemia e poupou renda. Porém, se o País continuar com sua expansão, espera-se que os dados positivos das atividades turísticas persistam.