[[legacy_image_259535]] O presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou um discurso leve e otimista, nesta segunda-feira (10), durante fala que marcou os 100 primeiros dias de seu governo. Enalteceu seus ministros, disse confiar na relação com o Congresso para aprovação das medidas que, segundo ele, “farão o país funcionar” e destacou os recursos e programas anunciados nesses primeiros três meses de seu terceiro mandato. Sem tom crítico, como da última vez em que se insurgiu com a manutenção dos juros da taxa Selic, disse confiar que o Banco Central irá baixar o índice dos atuais 13,75%. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Aliados do governo Lula se queixam da falta de uma marca para esse terceiro mandato e da demora para deslanchar projetos novos. A equipe do governo alega que, até aqui, a urgência foi no sentido de reconstruir programas imprescindíveis, a maior parte deles relançamentos dos dois primeiros mandatos do petista, como Mais Médicos, Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida. De fato, tanto o presidente como sua equipe de primeiro escalão se debruçaram desde os primeiros dias para resgatar iniciativas sociais que fizeram história no passado, permitindo acesso a bens básicos e elementares, como saúde, habitação e alimentação. Outros programas ganharam fôlego financeiro extra, como as bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que há mais de dez anos estavam sem reajustes, prejudicando centenas de estudantes-pesquisadores da pós-graduação. Lula também atualizou os recursos destinados ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), passando de R\$ 0,32 por criança/dia para R\$ 2,00. Ao justificar a falta de anúncios de programas e projetos novos, o governo diz que os primeiros 100 dias foram dedicados a “apagar incêndios”, como as manifestações golpistas de 8 de janeiro e a crise sanitária enfrentada pelas tribos yanomamis. Compreensível que essas providências mais factuais e a retomada dos planos que sua equipe considerou imprescindíveis tenham tomado boa parte dos 100 primeiros dias. Mas, a partir daqui, será preciso muito mais rapidez e articulação para colocar na mesa medidas necessárias ao crescimento econômico e a retomada rápida do emprego. O nó da questão talvez passe pela composição com o Congresso, que agora tem uma nova concentração de atores e uma relação diferente com o Planalto, embora continue conservador: só do União Brasil são 59 parlamentares, o que evidencia que projetos progressistas não serão pautas fáceis para Lula. Os 100 primeiros dias se passaram e o saldo, pode-se dizer, é mais positivo que negativo para o atual governo. Porém, essa amostragem não diz nada sobre os outros 1.360 que faltam, em que Lula e sua equipe precisarão consolidar a confiança da população no partido por meio da retomada da economia, requalificação do País no mercado internacional e efetivação da pauta verde a que se comprometeu.