[[legacy_image_327441]] A China aproveitou o Fórum Econômico Mundial, em Davos, para mostrar que sua prosperidade segue firme, em meio a indecisões geopolíticas e financeiras globais para este ano, de ascensão acelerada da rival Índia, e dos Estados Unidos pressionados (risco de escalada da guerra no Oriente Médio, conflito entrincheirado da Ucrânia e a sucessão da Casa Branca). No palco da cidade suíça, o primeiro-ministro chinês Li Qiang disse que seu país cresceu 5,2% no ano passado. Economistas ocidentais costumam consultar uma cesta variada de indicadores chineses, como geração de emprego e consumo de materiais, para atestar o real desempenho da economia de lá, por desconfiarem dos dados oficiais. Em reportagens passadas, os analistas estrangeiros projetavam expansão de 3%, o que não é pouco, considerando se tratar do segundo maior PIB do mundo e o número de habitantes ser decrescente. O sucesso da China importa muito aos brasileiros, apesar de os olhos do mercado e da imprensa estarem quase todos voltados aos EUA. Se o país asiático está longe da recessão, é certo que desacelerou. Porém, o agronegócio brasileiro pouco sentiu isso. Mesmo com o recuo dos preços das commodities, a quantidade exportada aumentou, principalmente a de alimentos, talvez porque a melhora da qualidade de vida do chinês o estimule a comer melhor e mais. Já a Vale, que vende minério de ferro para lá, tem sofrido com a crise do setor imobiliário do país. A construção chinesa usa muito aço, que demanda o insumo da mineradora. Mas incorporadoras gigantescas estão insolventes, a população que comprou imóveis como investimento viu seu patrimônio encolher e há muitas unidades residenciais e comerciais vazias. O governo anuncia crédito farto para vários setores, mas analistas externos alertam para o endividamento estatal e jovens demorando para achar bons empregos nas metrópoles. Também há relato de deflação, que no curto prazo é positivo, mas pode não ser esse o caso. Há alguns meses até se falou que a China seria um novo Japão, que prosperou feito foguete nos anos 1980 e depois estagnou. Assim como saiu da pobreza nos anos 1970, a China pode surpreender de novo. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o país hoje tem PIB de US\$ 17,7 trilhões, atrás dos US\$ 27 trilhões dos EUA (o do Brasil é de US\$ 2,13 trilhões). A distância já não é tão grande, mas a briga continua, pois os EUA crescem 4% ao ano. Além disso, os chineses aceleraram o investimento em tecnologia para escapar do cerco americano, criaram multinacionais gigantes e, com o capital excedente, levaram seus tentáculos ao mundo. No caso do Brasil, há a vantagem de não depender mais de apenas um parceiro comercial poderoso, os EUA. Entretanto, o fato de não ser uma nação democrática, que notadamente está ampliando sua força bélica e pode invadir Taiwan também deve ser computado no balanço dos riscos.