(Reprodução) O mercado e o governo já esperavam a subida da taxa Selic na última quarta-feira em 0,50 ponto percentual, chegando a 11,25% ao ano. Com o resultado eleitoral nos Estados Unidos, com o programa de tendência inflacionária de Donald Trump, o que poderá dificultar a queda do dólar no Brasil, aumentou a importância do Governo Lula de reduzir os gastos, resultando em sacrifícios inclusive nos programas sociais. A decisão do Banco Central deve desacelerar o crescimento do País, agora na casa dos 3%, um dos mais robustos do mundo. O impacto não será imediato porque uma nova Selic leva tempo para ser assimilada, pois há linhas de crédito que incorporam em menor nível ou tardiamente essa mudança, como o da habitação, que está 70% concentrado na Caixa. Mas o varejo, que depende dos empréstimos para formar estoque e financiar a compra parcelada dos clientes, sofre mais rapidamente. Os bancos, em uma fase inicial, são beneficiados obviamente, mas ao longo do tempo, se as taxas continuarem altas, a inadimplência passa a exigir provisões (reservas que não viram empréstimos ou outros serviços para cobrir potenciais calotes). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Assim como não está no radar dos economistas, uma recessão no próximo semestre, o atual ritmo aquecido do País deve servir de amortecedor do impacto dos juros altos. Portanto, o Produto Interno Bruto (PIB), dos 3%, recuaria para 2% ou 1%. Mas isso depende dos cortes de gastos do governo, via injeção de recursos públicos nos programas sociais e na Previdência, e na negociação com o reajuste dos servidores federais. Na verdade, não se sabe muito o que vai acontecer, pois o mercado de trabalho continua surpreendendo mês a mês, com quase 2 milhões de contratações formais no acumulado do ano. Esse acréscimo de renda via salários turbina o consumo, o que é muito positivo, mas para o BC não, que busca desacelerar o PIB para trazer a inflação, hoje de 4,42% ao ano, para dentro da meta, de 4,5%. Porém, o Boletim Focus, que é a pesquisa do BC com as previsões dos analistas, aponta um IPCA de 4,59% para este ano, com tendência de ascensão em 2025. A inflação encostando na meta do BC parece não ser algo grave, o que faz até a aliança do governo mais à esquerda questionar os cortes que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, planeja. Porém, o Brasil tem uma série de gatilhos e reajustes automáticos em contratos de serviços e de concessão pública, até de aluguéis, que disseminam a alta dos preços pela economia. Há ainda o impacto da subida do dólar que, se permanecer próximo de R\$ 5,60, vai encarecer os importados, como trigo e diesel. Falta saber como Trump taxará produtos estrangeiros e deportará imigrantes, o que causaria inflação nos EUA e manteria o dólar forte no mundo, porque o BC americano teria que subir os juros por lá. O Brasil já esteve em situações bem piores, mas o acerto dependerá da dosagem que Haddad tomar em suas ações daqui para frente.