Em pleno ano eleitoral, a rejeição da indicação do advogado-geral Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) é uma das principais derrotas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Corte não é um tema dominado pela base eleitoral mais pobre do petista, mas desde a Lava Jato os políticos entenderam ser importante para quem está no poder ter nomes de confiança no STF, com Jair Bolsonaro e Lula do terceiro mandato agindo assim. Escolher um futuro ministro é atribuição da Presidência, porém, com a posse, o magistrado deve atuar independentemente pelo bem da sociedade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A negativa a Messias não se deve a suas habilidades e conhecimentos jurídicos. Além do esforço da oposição de derrotar Lula, bem previsível, outros fatores causaram a derrota do Palácio do Planalto. Um deles é a rejeição do petista nas pesquisas e o crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o que faz aliados de ocasião de Lula se reposicionarem, de olho na própria reeleição. O fato do petista ter perdido pontos nas sondagens tornou os adversários mais corajosos em desafiá-lo. Além disso, faltou a Lula se entender com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que decidiu tomar do chefe do Executivo a prerrogativa de nomear ministro do STF e impor o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Não foi atendido e desde o fim do ano passado não escondeu que trabalharia contra Messias. Alcolumbre pretende ser reeleito presidente do Senado e, para isso, tenta se aproximar da direita e de bolsonaristas, isolando o Planalto. Há ainda outros pontos por trás da recusa a Messias. O caso Master ainda é o assunto que mais preocupa Brasília, e nos bastidores há muita insatisfação com a investigação. Também há um clima hostil com o Supremo. A Corte é acusada de avançar sobre o Parlamento e de que os ministros agem como intocáveis, em meio a reportagens sobre relações com o banqueiro Daniel Vorcaro. Entretanto, articulistas dizem que o ministro do STF Alexandre de Moraes apoiou o movimento de Alcolumbre, opondo-se ao colega de Corte André Mendonça, relator do Master e que torcia por Messias. Sem Messias, Lula indicará outro nome, que não deve ser Pacheco para não assinar de vez a capitulação. Já se diz que ele indicará uma mulher negra, pressionando o Senado. Entretanto, os adversários do presidente, no auge da euforia, dizem que derrotarão qualquer nome, empurrando a indicação para o sucessor de Lula, certos que o derrotarão nas urnas, apesar da pontuação apertada nas pesquisas. No fim das contas, o andamento de uma nova indicação dependerá de um rearranjo com Alcolumbre. Aos poucos, as notícias sobre a derrota de Lula devem ceder espaço aos movimentos do governo para reverter a percepção da classe média endividada sobre a economia, lembrando que a caneta do Poder Executivo é poderosa em ano eleitoral. Porém, é fato que o Executivo está incrivelmente enfraquecido frente ao Congresso.