(Raimundo Rosa/PMS) Continuam repercutindo os mais recentes dados e análises qualificadas sobre o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgados pelo Ministério da Educação na última quarta-feira. Os níveis de aprendizagem da educação básica brasileira avançaram com relação a 2021, mas ainda estão abaixo dos registrados pré-pandemia nas etapas avaliadas: anos iniciais e finais dos ensinos Fundamental e Médio. O Ideb é o mais importante indicador da Educação Básica, é o termômetro que avalia se os caminhos e políticas adotadas para o setor estão funcionando efetivamente, porque é formatado a partir dos resultados apresentados em provas de Português e Matemática aplicadas aos alunos dessas etapas de formação. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para muito além de analisar os motivos gerais da queda na performance ou justificar por quais razões os anos finais de ambas as etapas estão piores em relação a 2021, seria oportuno revisitar as escolas públicas que obtiveram bons resultados, com médias bem acima da nacional. Aqui, vale um recorte relevante e ponto de partida para jogar mais luz: as 100 escolas públicas do País com melhor desempenho educacional nos anos iniciais do Ensino Fundamental são todas do Nordeste, e o Ceará continua concentrando o maior número de unidades que lideram o Ideb (68). A seguir vêm as escolas de Alagoas (31) e uma de Pernambuco. O que faz dessas escolas líderes em desempenho educacional por tantos anos consecutivos? Resposta: um sistema organizado de colaboração entre estado e municípios que independe de troca de governos, inspiração e adaptação de experiências exitosas e a reação pedagógica diante dos resultados de índices educacionais. Vale destacar que o sistema de colaboração usado por esses estados surgiu com o Programa de Alfabetização na Idade Certa (Paic), criado em 2007. Além disso, o Ceará criou o ICMS Educacional, que estabelece a distribuição de ao menos 10% da cota municipal de acordo com indicadores de melhoria educacional. De Pernambuco vem também uma escola pública de Ensino Fundamental que saltou de 3,5 para 9,2 no Ideb. A escola fica no pequeno município de Inajá, sertão quase esquecido do País, mas escolhido por uma ONG para fazer a gestão administrativa e educacional. A Amigos do Bem, que atua em mais de 300 comunidades com alta vulnerabilidade e baixo IDH nos estados de Pernambuco, Alagoas e Ceará, aplica nas unidades educacionais onde atua a receita básica para o bom desempenho: professores bem remunerados, alimentação, estrutura adequada e perenidade nos programas pedagógicos. Educação é processo, processo leva tempo, motivo pelo qual não se pode fazer desse setor um vaivém de políticas mal pensadas e refém de ideologias partidárias. A educação deve ser gerida e entregue a quem tem qualificação para tal. Não é preciso ir para fora avaliar o sucesso de outros países nesse segmento: há excelentes exemplos dentro de casa que bem podem servir de modelo.