[[legacy_image_48882]] Tema mais associado ao combate às mudanças climáticas, a poluição pelo plástico preocupa mais pela infestação dos oceanos, desequilibrando os ecossistemas. Porém, a ciência começa a alertar para o impacto desse insumo na saúde do ser humano, o que impõe medidas mais rigorosas sobre seu uso, com políticas de reciclagem mais amplas. Hoje, já há alguma legislação a respeito, mas na prática, tanto para o cidadão como para as empresas, um efetivo compromisso ambiental acaba se realizando na base da conscientização, em uma atitude voluntária. Por isso, é muito importante que os legislativos locais e as prefeituras vejam esses processos com muito mais seriedade, ainda mais em um momento no qual o Governo Federal lida com o regramento ambiental como entrave ao desenvolvimento, subjugando meios importantes de controle de abusos. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Um motivo de preocupação extra é um estudo científico brasileiro que acaba de encontrar partículas de microplástico em pulmão humano, o primeiro trabalho desse tipo, mas que ainda não é conclusivo sobre impactos nocivos à saúde. A pesquisa, de autoria do engenheiro ambiental Luís Fernando Amato, do Instituto de Estudos Avançados da USP, e desenvolvida pelas áreas de Química, Pesquisas Tecnológicas e Medicina da universidade, identificou 13 tecidos pulmonares com resíduos de microplásticos, segundo publicou o jornal O Estado de S. Paulo na última quarta-feira. Não se trata de um pequeno plástico facilmente visível, como pedaços de embalagens ou lacres de tampas de garrafas que se descarta o tempo todo. São micropartículas inaladas em ambiente caseiro, entendendo-se por microplástico a parte que foi fragmentada e espalhada no ar, na água ou no solo. Aos poucos, ele vai se deformando conforme as condições do tempo e da temperatura, podendo causar irritações nos tecidos ou reações inflamatórias. Ainda é cedo, conforme o estudo, apontar risco de câncer, pois há vários tipos de plásticos e as formas de invasão do organismo são as mais variadas. Contudo, já está bem claro que o ser humano, tal como os pequenos animais e as plantas, sofre impactos importantes que devem ser evitados. Segundo os pesquisadores, quando o plástico “se quebra”, ele expõe diversas substâncias potencialmente tóxicas que podem ser recobertas por bactérias e outros organismos. Nos pequenos animais, esse insumo microparticulado pode bloquear o intestino e chegar ao fígado e rins, causando inflamações. É por meio de estudos específicos como este que se pode modificar comportamentos e readaptar os processos industriais. Esses trabalhos científicos também dão exemplos mais claros à população de como ela pode ser prejudicada. Toda a sociedade precisa olhar de uma forma mais objetiva para os efeitos da poluição e dos próprios atos do ser humano sobre o meio ambiente, cobrando ações mais firmes das autoridades.