(Divulgação ) Prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) indicou uma desaceleração, ainda que suave, do País em abril. Na comparação com março, avançou 0,16%, bem menos do que os 0,71% em março, sobre fevereiro. Em relação a igual mês do ano passado, o IBC-Br de abril cresceu 2,46%, enquanto em março teve alta mais robusta, de 3,59%. Mesmo com essa pisada no freio, o resultado veio melhor do que o esperado pelos economistas, que há um bom tempo enfrentam dificuldades para capturar o dinamismo da economia brasileira. O resultado não foi mais fraco porque o crescimento esteve concentrado em setores específicos – agropecuária, construção civil, impostos e, de uma forma mais moderada, serviços. Portanto, o desempenho do País segue muito associado ao da grande safra, cuja produção se concentra no primeiro semestre, e que no ano passado foi comprometida por problemas climáticos – geada e seca ou muita chuva. A base de comparação inferior leva a percentuais elevados, mas é preciso fazer justiça. O setor rural se superou e expandiu com vigor neste ano. Entretanto, a desvalorização do dólar, que em dezembro chegou a R\$ 6,28, despencou mais de 10%, o que poderá gerar cifras menores no comércio exterior. Porém, deve-se fazer a análise de forma abrangente e com um prazo maior. O fato é que o agronegócio está se diversificando, e não vive apenas de soja, com aceleração do segmento de carnes, e abrindo novas fronteiras produtivas, como rincões do Piauí. Espera-se que tamanho sucesso não tenha impacto ambiental ou avance sobre biomas delicados, pois a sustentabilidade é fundamental para garantir o equilíbrio climático tão importante para o campo. Fator de preocupação para os economistas, tanto do lado da inflação como das contas públicas, o governo continua deixando sua marca no crescimento da economia. Segundo o IBC-Br, a indústria despencou 1,11% em abril, na comparação com março. Dos seus segmentos, a exceção com alta foi a construção. Já é mais do que conhecido que a gestão petista investiu pesado no crédito imobiliário, em especial o voltado para a baixa renda. Há ainda muitos empreendimentos federais de infraestrutura e é provável que várias emendas parlamentares tenham sido destinadas para obras municipais. A preocupação com o pé no acelerador do Governo Federal é que a injeção de recursos pode ser descontinuada por problemas de rombo das contas públicas e do eventual cumprimento de regras fiscais, que bloqueiam os vários tipos de despesas. Por outro lado, a gastança da União também injeta muito dinheiro no consumo, pressionando a inflação, que hoje arrefece devido à queda do dólar e do petróleo (pelo menos antes da crise no Oriente Médio) e à produção de alimentos. O crescimento é formidável, desde que se dê sobre bases sustentáveis, como ganho de produtividade e crédito movido a juros mais baixos.