[[legacy_image_259104]] Importante e assertiva a iniciativa da Secretaria de Meio Ambiente de Santos, em conjunto com a Superintendência da Sabesp na Baixada Santista, de mapear os canais da Cidade para identificar a presença de esgoto em suas águas. A ação terá início pelos canais 2, 3 e 4, os mais críticos, seguindo depois para 5, 6 e 7. Uma vez encontrados coliformes fecais nas amostras coletadas, a ideia é buscar a origem do esgoto, se de eventual extravasamento da própria rede da estatal ou de alguma ligação irregular de residência ou comércio. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Embora tardia, a ação poderá explicar por que, sendo a cidade de Santos tão bem coberta pelos serviços de coleta e tratamento de esgoto (índices acima de 99%), a balneabilidade das praias segue sendo a pior de todo o Litoral Paulista, segundo a própria Cetesb, que faz semanalmente a coleta de água da praia para identificar se são águas próprias ou impróprias para o banho. Em 2022, por mais de 60% do tempo as praias santistas ficaram impróprias para o banho de mar, o que significa dizer que a presença de esgotos não tratados tem potencial para causar doenças como viroses, dermatites, hepatites, cólera, amebíase, entre outras. Os canais de Santos são uma concepção do engenheiro Saturnino de Brito, do início do século passado, e é preciso dizer que sua genialidade tornou a cidade de Santos referência para todo o Brasil, porque criou aqui as condições necessárias para a implantação final do porto e o fortalecimento econômico local. E é justamente a manutenção dessa economia, especialmente no setor turístico, e da saúde que se vê agora ameaçada pelo quadro preocupante de praias impróprias e canais contaminados. Aqui, vale o crédito a quem de direito. É preciso dizer que Santos viveu situação semelhante nos anos 90, quando a falta de balneabilidade das praias mobilizou a sociedade e diversas entidades locais pela adoção de medidas urgentes. Foi no governo da então prefeita Telma de Souza que um conjunto de medidas mitigou o problema. Além da restauração e reinstalação das comportas nos canais, evitando que águas contaminadas chegassem às praias, um programa de identificação de esgotos clandestinos foi criado, semelhante ao que agora se pretende fazer. Com sistemas disponíveis à época, como uso de corantes e fumaça, dezenas de ligações irregulares foram localizadas, e seus proprietários multados e obrigados a ligar sua rede ao sistema coletor da Sabesp. Tivessem os governos que se seguiram àquela época mantido esses programas, e certamente esse debate já teria sido superado - ou, ao menos, mudado de foco, visto que outros pontos de despejo também podem existir. Como em tantas outras situações vividas Brasil afora, aqui também vale a máxima de que algumas políticas públicas, de tão fundamentais, não deveriam ser de governo, mas de estado. Em outras palavras: o dinheiro público é caro demais para retrocessos em questões fundamentais, saúde e economia incluídas. Que as medidas ora anunciadas sejam perenes, para que esse tema vire a página em definitivo.