(Marcello Casal Jr/Agência Brasil) Nos próximos anos, o aumento da fatia do orçamento federal destinada aos mais pobres deve ser uma tendência cada vez mais forte. Isso ocorre em resposta a transformações sociais e econômicas profundas que o Brasil enfrenta, como o envelhecimento da população, a crescente demanda por benefícios sociais e a evolução tecnológica que impacta o mercado de trabalho. Com essas mudanças, fica evidente a importância de reforçar a educação e a qualificação contínua das novas gerações de trabalhadores para reduzir a probabilidade de serem excluídos da oferta de empregos formais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) vem propondo um aumento significativo de quase 20% no orçamento para o Benefício de Prestação Continuada (BPC) em 2025. Este benefício tem visto um crescimento notável no número de concessões ao longo deste ano, tornando-se um dos principais alvos das revisões orçamentárias. O objetivo dessas revisões é aliviar em R\$ 25,9 bilhões o orçamento do próximo ano. A proposta do CNAS sugere um orçamento de R\$ 119,9 bilhões para 2025, o que representa um aumento de R\$ 19,7 bilhões em relação aos R\$ 100,2 bilhões deste ano. O aumento proposto reflete, em parte, a elevação do salário mínimo, mas também considera o crescimento do número de beneficiários. O BPC, que oferece um salário mínimo mensal a idosos e pessoas de renda muito baixa, tem se mostrado um desafio crescente para as finanças públicas. Para 2024, embora a previsão seja de R\$ 100,2 bilhões em gastos com o programa, a estimativa é de que chegue a R\$ 111,5 bilhões. Esse aumento, junto com as despesas da Previdência, levou a equipe econômica a bloquear R\$ 11,2 bilhões em investimentos neste ano para garantir o pagamento das obrigações. A proposta orçamentária para 2025, apresentada pelo CNAS, é baseada em projeções da Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS) e ainda está sob análise. Os técnicos do governo estão revisando as estimativas de impacto e avaliando os efeitos das mudanças nas regras de concessão do benefício. O objetivo é definir um valor que acomode as despesas com o BPC no próximo ano. Essa definição precisa ser finalizada até o final do mês, quando o governo deve enviar ao Congresso o projeto de lei orçamentária. A situação atual reflete a urgência de políticas públicas que reduzam a dependência de parcela cada vez maior da população aos benefícios sociais. Qualificação profissional, melhoria das aposentadorias e investimento em educação pública de qualidade são caminhos mandatários. A integração de políticas educacionais com estratégias de inclusão no mercado de trabalho pode ser a chave para enfrentar os desafios econômicos e sociais que o Brasil enfrentará nas próximas décadas. Somente assim será possível garantir um futuro mais justo e próspero para todos os brasileiros, especialmente para aqueles que mais necessitam de apoio.