[[legacy_image_325737]] A escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski para o Ministério da Justiça e Segurança Pública é parte importante da estratégia de se cercar de nomes influentes do Judiciário para reforçar seu espectro político após a Operação Lava Jato e em um momento de polarização, que retroalimenta um choque entre os poderes. Entretanto, até por seu temperamento ponderado, Lewandowski deverá conferir à pasta uma calmaria que não se viu com o antigo titular, Flávio Dino, que centralizou o embate contra os bolsonaristas. Por outro lado, Lewandowski, após tanto tempo em Brasília, por sua facilidade de acesso aos integrantes do STF e dos demais poderes, poderá levar a oposição a pensar duas vezes antes de fazer ataques sistemáticos, o que mostra o alcance da cartada de Lula. Lewandowski também possui desafetos e críticos, até por seu relacionamento próximo com a atual gestão, mas não se pode negar que a pasta terá um nome à altura de sua importância, com condições de orientar o presidente sobre limites e contornos legais de eventuais decisões polêmicas do Planalto. Em sua terceira gestão, analistas alertam que Lula não conta mais com auxiliares e aliados, com exceção do senador Jacques Wagner (PT-BA), com liberdade para apontar seus erros. A pasta da Justiça tradicionalmente é o principal ministério por sua proximidade com o presidente e pela importância na articulação com os outros poderes, isso se o ocupante tiver tais qualidades. Entretanto, a realidade bate à porta e o novo ministro terá que lidar com questões práticas da segurança pública, uma das principais preocupações do eleitorado. Essa área exige dinamismo frente à ascensão das facções criminosas, antes concentradas em São Paulo e Rio de Janeiro, que agora estão agindo no Norte e Nordeste, no Interior e nas fronteiras. Para esse fim específico, Dino e PSB tinham a esperança de tornar ministro o atual secretário-executivo da pasta, Ricardo Cappelli, que demonstrou eficiência como interventor do Distrito Federal a partir dos atos golpistas de 8 de janeiro e com vitórias pontuais contra o crime organizado do Rio de Janeiro, ainda com a possibilidade de dar solução ao caso Marielle Franco. Entretanto, a política se sobrepôs aos resultados e Lewandowski deve indicar um nome de confiança para o lugar de Cappelli. Lewandowski, agora do lado do Executivo, sem vínculos partidários, estará diretamente associado a Lula, aliviando o peso do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que precisa de tranquilidade para cuidar da economia, mas tem sido pesadamente atacado pelo PT. Uma vez empossado, será possível conhecer as qualidades administrativas do ex-ministro do STF, lembrando que ele mesmo descartou dividir a pasta em duas, pois não é possível separar a Justiça da Segurança Pública.