(Imagem ilustrativa/Unsplash) A onda imigratória, que tanto aquece os debates entre oposição e governos, esquerda e direita, nos Estados Unidos e na Europa, também tem reflexos no Brasil. Neste ano, os pedidos de refúgio aumentaram para quase 800 no País, frente a pouco mais de 200 em 2022. Uma investigação do Ministério da Justiça e Segurança Pública descobriu que o destino deles não seria o Brasil, mas Estados Unidos e Canadá. A passagem pelo Brasil se deve à legislação mais branda, que dispensa viajantes de 90 países do visto para fazer escala em solo nacional. O problema é que essa política de relativa porta aberta deu oportunidade para o tráfico de pessoas e coiotes utilizarem o Brasil como passagem intermediária, conforme descobriu o Governo Federal. Portanto, faz todo sentido a decisão de endurecer a concessão do refúgio, que é um benefício específico para perseguição racial, religiosa e política e para vítimas de tragédias ambientais. O Brasil é muito visado por venezuelanos e angolanos para a imigração pela proximidade geográfica ou da língua. Porém, o País tem recebido centenas de indianos, vietnamitas, paquistaneses e bengalis, sem tradição imigratória com o Brasil. Trata-se de uma questão polêmica, pois envolve exploração econômica daqueles que pretendem viver em um país desenvolvido e que muitas vezes sofrem violência ou são expostos a travessias perigosas. No caso da rota brasileira, a investigação do governo descobriu que, após a passagem por São Paulo, os imigrantes vão para a Região Norte, com uma parte cruzando de ônibus a fronteira do Acre para a Bolívia e viajando a pé por até dez dias nas florestas da Colômbia e do Panamá, onde há traficantes e todo tipo de bandidos perigosos. Esse fenômeno não pode ser tratado com indiferença pelas autoridades. Até porque muitos brasileiros também têm optado pela imigração ilegal para chegar aos EUA, Canadá, Europa e Austrália, muitas vezes morrendo nas mãos de coiotes e de criminosos que encontram no caminho, como no México e na travessia até os EUA. A imigração é um fenômeno histórico, associado à fuga na casa dos milhões nas guerras e nas perseguições étnicas, religiosas ou políticas, inclusive nos últimos anos. Os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio exerceram incrível pressão imigratória sobre a Europa, com os grupos políticos extremistas se aproveitando desse tema para ascenderem eleitoralmente. A diáspora venezuelana, causada por um regime incapaz de promover desenvolvimento econômico, levou milhões a buscarem a Colômbia e o Brasil, assim como os muçulmanos rohingyas fugiram de Mianmar para o Bangladesh. Cientistas dizem que a imigração será avassaladora devido às mudanças climáticas, com regiões geográficas extensas se tornando inóspitas para o plantio e habitação, e que isso também será motivo de muitas guerras. Os governos terão que enfrentar esse tema por um bom tempo.